Friday, February 15, 2008

AnTÔnIO - Um projeto!!!!!


Antônio I

Então Antônio caminhava pelas ruas empoçadas. Sentia dentro de si algo que não sabia explicar. Uma leveza, um vazio do bem, como quando se tira de dentro do armário somente aquilo que estava em excesso e ajudava no acumulo do pó.
Seu peito quase que saia pelas ruas, dançando, livre e eufórico. Seus olhos viam tudo como se fosse a primeira vez. Suas mão não guardavam mais a foto gasta, da moça gasta, do amor gasto. Eles estava vazio de passado, vazio de sentimento, vazio de coisas que há muito ele guardava no canto de seu armário imaginário.
Reparou como sua vida ia bem, como tinha motivos para gargalhar, e por quanto tempo se privou de tudo, por devoção a um amor que não existia mais. Claro, não deixava de sentir estranheza, posto que todo o tempo de uma vida, havia agora virado pó, lembrança que não bagunça a alma, programa futil de TV.
Sentia saudades sim, mas do que não vivera. Agora ele entendia que sentia saudades do que poderia ter sido ao lado da moça da foto gasta. Porque ser ele não tinha sido nada. Ao seu lado, se fora alguma coisa, tenha sido, talvez, uma sombra, uma pedra, um pó na estante, uma relíquia...
Antônio andava leve e vazio, não se prometia nada, não olhava para ninguém, não tentava partir para lugar algum, ele só seguia pelas ruas, firme, sem cobranças, sem querer ser ninguém além dele mesmo naquele momento. Sentia algo de felicidade, sentia algo de possibilidade, sentia algo de sua vida noamente. E como era bom.
Agora ele anda e anda, para onde vai não sabe, mas sabe que nunca mais vai deixar de ir, nem nunca mais vai guardar fotos gastas, nem nunca mais vai amargurar seu coração, porque ele via que o mundo era cheio de possibiliades, só bastava seguir andando, em frente!!!!!

Antônio II

Antônio andava. Não sabia bem para onde, mas andava. Meio cambaleando pelo meio fim. Meio sufocado pelo nó que se fizera na garganta. A cabe;ca tilintava feito sino de igreja. Antônio que tinha perdido a fé. Andava. Sem saber onde ia dar o caminho. Sem saber se o fim seria longo ou não. Sem querer enxergar nada.

Desejava esfumaçar o horizonte, para ter desculpas de ficar parado, deitado, sentado, caído. O coração mal se segurava batendo. Estava apertado de torturosa saudade. Andava roto de tão abandonado. Por ele mesmo. Largara seu amor na estação do trem dos amores que não têm coragem. Ele não tinha coragem. Levava nos bolsos algum bilhete dela, que não tinha tido coragem para ler. Levava debaixo da blusa a foto que fazia os olhos refletirem de sol, e a tornava ainda mais bonita.

Ele deseja que ela se tornasse feia. Que ela engordasse. Que perdesse a força. A energia. Pra justificar o adeus que lhe dera. Pouco a pouco ele se consumia. Sabia que ia desejar morrer a vida toda. Ela ia longe agora. Não a reencontraria por surpresa, o que era bom. Mas ao mesmo tempo ruim. Ela em breve o lhe substituiria. Tanta beleza que seria capaz de assustar qualquer um. Mas eram em número bom os corajosos, e estes se encantariam e a ganhariam. Seu presente.

Antônio andava sem rumo. Com dor no peito. Com a incerteza do "se". Com o pecado dos que têm medo demais. Porque Deus havia lhe dado tamanho amor? E tão pouca coragem. Ela jamais entenderia. Deveria pensar que ele não lhe amava o suficiente. Como se fosse possível passar por ela e não amá-la. Como se fosse possível não querê-la para sempre. Como se fosse possível não ter medo.

Pensava no mal que ela carregava. Tanta perfeição. Tanta beleza. Tão sublime aquela mulher. Espantava. Afugentava seus amores. Sofria. Cresceu acreditando ser bem menos bela do que era. Cresceu sem altura do quanto era estonteante como mulher. E ser humano. Ela o amara tanto. Ele podia sentir. Isso piorava tudo. O que fazer?! Antônio só conseguira fugir. Fugir pra longe. E se perder no abismo dos que amam, mas não conseguem viver com isso. Caino na solidão de quem sentirá saudade para sempre. E de quem não terá amor maior no mundo!!!!!

Antônio III

tempo....


(...)

ele virou mais uma folha no calendário...

tempo passava rápido....

mas nem tanto...

fazia-se novo o ano...


mas e ele?

o rapaz que andava pelas calçadas...em meio às chuvas de verão....ele era novo? ou era tdo ele? o mesmo de sempre...

não sabia...ele acreditava no movimento de tudo e todos...mas sentia-se parado...observando....e esperando....o quê ele não sabia bem.

mas era novo o ano...
pessoas pelas ruas prometiam-se vitórias, desapegos, mudanças...todas essas que esperavam o novo ano...

ele não...
sim, era um homem de fé....mas os calendários não lhe tocavam...
prefiria um bom livro, uma boa sombra, uma fotografia que guardava da moça....

já estava gasta...mas ele a contemplava com adoração...
estava longe...tão longe....que doía....mas ele quis isso num tempo passado....agora já não tinha certeza...

mas o ano era novo...então........
o rosto da moça continuava gasto no papel....ele pensava em ligar e desejar uma boa passagem...quem sabe ao ouvir sua voz, tivesse coragem de lhe dizer certas coisas.......como o quanto seu coração era puro arrependimento e saudade....e amor, acima de tudo....mas tinha medo que um outro amor atendesse....esse que poderia ser o novo ombro a embalar os sonhos de sua amada...

não tinha certeza, mas tinha mais medo que coragem...que vontade.....mais uma vez beijou a fotografia....ouviu uns fogos que estavam rompendo à beira mar....pencou que ia chorar.....mas era apenas mais um ano....

vinha o novo ano.....

ele à sombra da velha árvore.....
com um livro que era novo.....e uma foto que era velha....um sentimento que de tão intenso era atemporal.......um maldito medo de alçar vôo....e um pensamento constante.....onde andaria ela?!

a moça....será que estava no mar??? será que desejava algo??? será que pensava nele??? será que um dia lhe ligaria outra vez???

ele e o novo ano, com os velhos arrependimentos......e o sempre novo velho amor....


um dia quem sabe ele cria coragem....seja novo ou não - o ano!!!!

Wednesday, February 13, 2008

foi um rio que passou em minha vida...

Estranho, muito estranho. Ultimamente tenho achado tudo muito estranho. O meu mundo ganhou uma repaginada - inesperada - absurdamente tranformadora em menos de dois meses, e muitas coisas mudaram por aqui. Eu me assusto. Principalmente com o fato de perceber o quanto eu gosto de alimentar coisas que não são tão importantes, e dar tamanho pra pessoas que não estão no tempo de crescer pra mim - ou não encontram espaço nesse meu mundo estranho.
Me assusta perceber como algo que me era tão importante, virou pó, virou página amarela de livro que não se quer reler, virou lembrança vaga. Estranho, muito estranho. A cadeira perto da janela - quem acompanha essa naba já vai lembrar dela - está vazia, ou melhor, talvez até tenha sido ocupada novamente, de uma forma estranhíssima. Tem coisas que acontecem e a gente definitivamente não consegue explicar!!!
Acho que só oxigênio é, de fato, imprescindível e insubstituível. Acho que só sem ar a gente morre mesmo. A falta de ar forjada pelo coração, assusta, mas não mata, e depois nem deixa vestígios. E de repente o rosto gasto na foto, vira mais um rosto que um dia fez parte da sua vida, um dia disparou seu coração, um dia lhe fez voar, e hoje não causa absolutamente mais nada. E você descobre que o rosto gasto de verdade, nunca é gasto realmente, nunca lhe faz voar pra tão longe, nunca lhe faz ferver a alma, mas está sempre ao seu lado, e surge na calmaria do mar...e no momento que você até tem medo ainda, mas já não tem mais audácia de fugir...

Sunday, February 10, 2008

Encomenda!!!!


Só Sofia.

Marina Monteiro.

Sofia veio ao mundo em forma de canção. Uma dessas canções perfeitas. Canção de embalar sonhos. De curar vidas. Sofia não veio ao mundo sozinha. Veio junto com uma porção de amigos: a esperança, a emoção, a ingenuidade, a sinceridade, a amizade, o amor...

Sofia veio junto com a espera. Ah, e como foi esperada essa menina. Esperada demais. Já veio pro mundo com pacote completo. Repleto de gente pra amar. Veio pro mundo em forma de canção.

E como uma nota que toca a alma, Sofia já era imaginada. E sempre que a imaginavam, viam cores as mais brilhantes e raras, que neste mundo de meu Deus não se encontrava. Sofia é um anjo enviado por Deus. Uma menina linda. Tem em si o pulsar de uma criança, que como toda criança, está aberta pro mundo. Aberta pro amor. Inocência pura de sentir. Sofia não entende, Sofia sente. Sofia ama e ponto final.

Ela já veio ao mundo sendo corajosa. Rompendo barreiras. Largou aquele recanto de aguinha quente e balançar gostoso, para adentrar nesse mundão, que tem tempo estranho e balançar turbulento. E veio assim com sorriso largo. Com passo apertado. Com olhar brilhante.

Veio trazendo consigo a esperança de vida nova. O frescor dos sentimentos intocados pelo preconceito. Veio livre. Veio azul. Veio amarela. Veio vermelha. Veio cor de rosa.

Sofia tem pai e mãe. Sortuda ela. Sofia tem dinda e dindo. Tem amigos já, sem nem tê-los visto ainda. Tem vó, tem vô. Tem tios. Sofia tem tias malucas por ela. Já tem até festa programada.

Ô Sofia!!! Que assim seja pra sempre. Que a Sofia nunca tente entender. Porque ela já sabe tudo, da forma mais bonita e sabida que se pode alcançar. Sofia tem coração inteligente. Já sente e isso basta para ser. Ela é. E nem precisa saber disso. Não precisa se perguntar. Ela é e simplesmente é como quase ninguém consegue ser. Sofia! Isso vai passar. Um dia vai ser mulher grande. Vai atordoar rapazes. Vai parar o trânsito. Vai estar em épocas de querer entender. Vai se perguntar. Vai ser sabendo disso, e querendo entender porque é.

Mas isso é fato pra todos nós. Ninguém fica neném pra sempre.

Mas desejo eu que a Sofia, tenha sempre em si aquela luz de cores raras. Guarde sempre consigo o amor que é amor e ponto. Que a Sofia seja sempre uma canção. Canção que se explica por si só. Canção que se canta. Que se embala. Que aonde ela for, leve consigo a sua canção. Que toque aos ouvidos dos outros, entoando paz. Que a Sofia seja destas canções sem letra, ou com letra simples e bonita. Para que ninguém busque entende-la, apenas senti-la. Que busquem as pessoas, só ouvir a canção. E que se deixem levar por ela. E que assim a Sofia tenha mais momentos de ser simplesmente, na vida. Ser e ponto final. Como ela é hoje. Hoje que ela ainda nem nasceu e já é. E já desperta tanto amor. E já provoca tanta espera. E já forma tanta platéia. Que ela seja artista na vida. Buscando estar verdadeiramente em cena. E que se entregue sempre.

Que Sofia seja sempre Sofia, sem querer ser mais ninguém. Que seja sempre uma canção. E como canção esteja sempre eterna no coração daqueles que a amam.

Amém.



[ Escrito especialmente para essa mocinha da foto - que é linda por sinal]

Wednesday, February 06, 2008

foi carnaval

Confetes e serpentinas espalhados pelo chão, ainda lembrarão que foi carnaval por alguns dias. O ano, para muitos começa agora, pra mim não. Já começou faz tempo, ou melhor, nunca acabou. Foi carnaval então, e mesmo que não leve isso muito a sério, até que pulei, bebí, gritei, e todas essas coisas que se costuma fazer. Um suspiro de alívio agora, ainda bem que acabou. Agora as pessoas entram no meu ritmo e eu consigo finalizar as coisas...