Friday, January 25, 2008

os caras certos!!!!

A minha alma rasga de tanto que transborda.

Os passageiros do meu barquinho indiscreto se afogam.

Fogem de medo dos tubarões. Estraçalham-se em meio ao furacão.

Eu já tentei acalmar a maré, e virar laguinho de patos, para as criancinhas brincarem, mas...

É, não deu certo. Virou marasmo. Virou chatice. Virou meleca. Só os patinhos, as crianças e os casais que não sabiam mais porque davam as mãos, andavam na minha margem. E a minha margem não era mais a mesma...

Tem uma frase do Brecht que diz: “o rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém chama de violentas as margens que o aprisionam”. Pois é...e acho que citando Brecht eu viro mais violenta, mais assustadora, mais turbilhão. E no único momento que eu tentei margear o meu curso, fodeu tudo de vez, e minha vida caiu numa moléstia horrorosa.

Depois disso eu nunca mais deixei ninguém me impor as tais margens, nunca mais deixei me chamarem de maluca – no sentido pejorativo – nunca mais permiti que qualquer carinha babaca, cheio de armaduras frágeis de defesa, me dissesse que a culpa era minha. Durante muito tempo eu acreditei que era impossível me amar. Já ouvi de um tudo. Já me chamaram de instável, enquanto o que eu faço é me deixar levar pelo que eu sinto no momento, e enquanto que “o ele” em questão sim era instável, instável nas verdades, nos sentimentos, nos sonhos, no caráter, na vida. Já me disseram que eu era bonita demais, inteligente demais, independente demais, atriz demais, bem resolvida demais, e isso era demais para “o ele” da vez. E eu por muito tempo escondi os livros, escondi a opinião. Durante muito tempo eu trabalhei meu cérebro pra pensar que eu era a criatura mais feia da face da terra. Tentei ceifar minha independência, tentei virar mocinha em dia de chuva com medo de derreter, tentei confundir meus instintos e criei dúvidas com relação ao meu futuro e à minha vocação. E tudo isso pra quê?!

Pra tentar tirar do olhar dos “eles” todo aquele medo e susto, toda aquela exclamação de “nossa como você é diferente”. Pra tentar fazer parte dos 97% das mulheres que os homens namoram, casam, dizem que amam, e vivem ao lado. Por um tempo eu cansei de fazer parte dos 3% de mulheres que deixam rastros de homens encantados, apaixonados, entorpecidos, confusos, desencaminhados, ou qualquer coisa do tipo...do tipo que faz eles fugirem, irem embora, partirem meu coração.

Nunca me satisfez o fato de ser inesquecível para um, de ter marcado a vida de outro, de ter sido o maior amor do terceiro, de ter fechado o coração do outro ali. Nunca me satisfez o fato de se despedirem de mim com um eu te amo, eu te gosto, você é perfeita...tão perfeita que eles não queriam estar ao lado. [isso engrandece meu lado dramático – como uma atriz que sou – rende história e faz minha vida parecer um filme, mas quero mesmo é a coisa mais normal do mundo...amor, oras, quem não quer].

Aí o tempo passa e você amadurece. E eu também. E descobri que eu me amo, assim do jeitinho que eu sou. Adoro ser inteligente, não abro mão de ser atriz, adoro minha independência, adoro seguir meus instintos e me levar pelos momentos, adoro a minha vida, adoro ter certeza do que eu quero, adoro ser mulher que comanda e também mulher que vira mocinha doce, adoro ser a louca doida louca... Enfim, eu sou legal!!!

Daí eu descobri que o meu maior defeito sempre foi o auto boicote. Meu coração se apaixona pelos homens errados, e quando os certos aparecem, ele sai correndo. Ou melhor, saía!!! Agora não mais, eu quero é quem ame, goste de mim com meus defeitos e qualidades, e que não coloque em mim as culpas dos seus medos, das suas neuras, dos seus defeitos...cansei de atrair “amor” que acaba precisando me consumir pra poder seguir em frente. Cara, ou consegue segurar o tranco, ou pede pra sair, só não se apaixone por mim se for pra fugir de medo, ou ficar em cima do muro, ou ser morno, ou enlouquecer de indecisão ou por clausura. Enlouqueça sim, mas enlouqueça pra fora, enlouqueça demais, exploda junto comigo. A vida é curta, e daqui a pouco isso vira auto ajuda.

O ministério da saúde adverte: Marina Monteiro não é recomendada para corações fracos!!!!

2 comments:

Desmontagem Cênica said...

hahuahuauhhahu ótimo... como posso gostar de tudo que tudo escreve.. desde as fases cronicas, anacronicas, depressivas, ironicas... um luxo só! auuhauaauh publica que compro seu livro... ta demorando né!

Rimona said...

Well said.