Wednesday, December 31, 2008

a própria saliva

Pensou em acordar o cachorro e levá-lo para curtir o último dia do ano à beira do mar. Queria vê-lo correndo, livre. Esse sim, de fato era livre. Não tinha pensamentos intermitentes de culpa ou desejos reprimidos. Vê-lo correndo parecia-lhe bom, ao menos assim experimentava a liberdade. 
Acordou contemplativa. Pensou em tomar chá, mas desistiu. Não acordou o cão, pensou que isso seria tolir a liberdade que ela tanto invejava, mas era uma inveja que não destruía, portanto não acordou-o. 
Sentiu o frio na espinha. Como se houvesse a possibilidade de tudo mudar, naquele exato momento. Olhou mais uma vez o telefone que não tocava. Sentou-se. As horas marcavam sempre o mesmo compasso, e mais uma vez ela decidiu não comprar pilhas novas. Preferia ter a impressão que o tempo tinha parado, para que ela resolvesse suas pendências. 
Colocou o banquinho perto do parapeito. Sentiu a brisa. A vida que gritava dentro dela, era tão forte, que de alguma forma tentou berrar, mas só lhe saíram bolhas de cuspe. Sentiu-se uma criança, brincando com a própria saliva. A própria saliva. Sim, finalmente havia descoberto algo que era seu. Só seu. Mas ao mesmo tempo lembrou dos beijos que já havia compartilhado, e por um instante pensou que a própria saliva já não era mais tão sua. Havia alí particulas de amores perdidos, findados, eternizados, e por mais que cuspisse, a sua saliva jamais seria só sua.Não mais.
Ligou a música. Trocou várias vezes de faixa. Seu ipod onde andaria? Sabe-se lá. Talvez tivesse dado a alguém. O vazio daquele apartamento lhe fazia esquecer de tudo. Sentia ainda o cheiro na almofada. Resolveu beber um pouco de água. Lembrou da saliva que não era mais só sua, parou. Faria o que naquela noite? E o cão não acoradava. Via o sol despedindo-se em breve. Se chovesse ela poderia ir tomar um banho de chuva. Ouviu a música alta. Quase sentiu um desejo incontrolável. Sabia bem o que era.
Encontrou um bilhete no vaso ao lado da TV. A TV que ela nem via mais. Um bilhete de despedida. Um bilhete que ela não havia lido. Dois meses ali depositado. Pegando pó. E ela não tinha coragem. Como sempre. Tentava voar, mas por algum motivo, se detinha. Atava as próprias asas e sabia disso. Mas como não fazê-lo?!
Ficou tamborilando o bilhete entre os dedos. Assoprou o pó. Abriu uma parte. Podia ver a letrinha bem desenahada. As palavras escolhidas a dedo. Mas não consegiu decifrá-lo ainda. Esperava a hora certa. Mas o relógio não estava parado?!
O cão dormia. Talvez dormisse o dia inteiro. Certamente ele estaria cansado dela mesma. Dessa sua dona atada. Presa ao parapeito da janela. Enferma de seu prórpio medo. Ele que, de língua pra fora, parecia implorar-lhe um vôo. Um vôo térreo que fosse. Só para experimentar as asas. O par de asas imaculados. Atados. Quase dormentes pela falta de uso. 
Uma borboleta azul pousou no ombro esquerdo da boneca russa que tinha na prateleira. Porque não havia pousado em sí? Não conseguia imaginar que aquela boneca inspirasse mais vida a uma borboleta, que sua presença móvel e discreta, alí, completamente viva. Estava absorta. Estava completamente absorta.
Mais uma música. O cão moveu-se. Mas não acordou. Ou talvez estivesse acoradado, apenas contemplando seu espetáculo de inércia. Andava de um cômodo ao outro. Pensou em telefonar. Mas idiotice, se nem o bilhete tinha lido. Passaram-se dois meses. Onde andaria? O que teria feito? O que sentiria?
Pegou o bilhete. Abriu mais uma parte. Adormeceu. Acordou com um grupo de jovens gritando a beirada do prédio. Festejavam algo. Mas que dia era aquele? Ah sim. O último. O último dia daquele ano. Mais um ano em que havia perdido para o medo. MAis um ano de asas atadas. Mais um ano de borboletas não pousadas em seu ombro. Mais um ano.
O cão havia saído. Mas para onde teria ido? Nem tinha forças para procurá-lo. De certo fora festejar e mais tarde voltaria. O bilhete estava ali. Semi jogado ao chão. Olhou mais uma vez. Ainda restavam alguns minutos para o fim do ano, poderia terminá-lo com uma titude mais corajosa, enfim lendo o que tinha lhe sido escrito.

Será?

[continua]

Tuesday, December 30, 2008

menina

A essa altura ano passado, a menina andava tentando esquecer. Apagar do coração os sentimentos que não lhe serviam mais. Apagar da cabeça a pessoa que já não andava mais de mãos dadas as dela. Não sei como, nem porquê, a menina nasceu com uma mania de virar a página e olhar pro amanhã com olhos sedentos e sorridentes. Estava lá se curando de todas as dores e lamentos, estava de coração nas mãos, mas sorrindo, e fazendo o possível para que os próximos tempos fossem de paz, leveza, amor e sucesso - saúde é obrigatório em qualquer pacote.

Hoje a menina descobriu que havia várias maneiras de ter passado por aquele momento - nada agradável -, e todas estavam a disposição de sua livre escolha. Nesse exato momento ela sabe que que fez a melhor das escolhas que haviam aparecido na sua frente. Mesmo com o lago de prantos que corria dentro de sí, ela ativou o sorriso externo, e fez aos poucos com que ele contaminasse toda e qualquer célula do seu organismo. Aliou-se aos que gostavam dela, saiu, dançou, beijou [mesmo sem disparar o coração], bebeu, viu filmes, fez planos, trabalhou, correu atrás de seus sonhos, e acima de tudo, agarrou bem as duas mãos mais próximas que existiam, as suas próprias. E assim, de mãos dadas consigo mesma, não só ultrapassou a tempestade, como viu o céu abrir, e o sol forte aparecer.

Vez ou outra dá uma chovida, uma nublada, aquela fechada no tempo básica, mas é aquela coisa que quem anda de avião sabe: acima o sol brilha, só esperando o vento que faça as nuvens se afastarem e permitirem seu reinado.

A menina hoje, nem lembra mais onde guardou as fotos, os bilhetes, os objetos...ela lembra sim dos bons momentos, e isso é o maior sinal de que a alma fez-se enfim leve.

Sunday, December 28, 2008

tópicos

O melhor e o pior da Ilha é que tudo continua sempre no mesmo lugar. Isso era o que me aterrorizava quando morava aqui, e o que me fez pensar, ufa ainda bem que saí daqui, logo que o avião pousou. Ao mesmo tempo é o que me conforta quando volto pra ver a raça, a família, e todo o resto. Tudo no mesmo lugar. O mar, o pôr do sol, o ônibus...


O melhor de voltar são os abraços, longos, queridos e tão esperados. Como eu sinto falta dessa gente amada. Meu senhor. Muita falta. Se o Rio fosse logo aqui ao lado, seria perfeito... Mas na vida não se tem tudo. 

O banho de mar curou a ressaca e também deu aquela limpada básica que a alma precisa. [tá o mar no Rio é muito gelado].

As pessoas andam dizendo que estou diferente, e mais bonita, e bla bla bla. Mas não fiz nada não minha gente. Cortei o cabelo, mas nada muito inovador. Acho que o balacobaco é por dentro mesmo. A tal leveza. Até me espanto com a minha não ansiedade. Eu simplesmente ando muito tranqüila [ihhh não se usa mais trema né? bah...]. Ando leve. Ando vivendo o que a vida oferece, ouvindo minha intuição e seguindo meus objetivos. Essa mistura faz a equação chegar a um resultado que é visível mesmo. Até eu vejo, veja bem, isso é raro ha ha ha.

A saudade tá boa de sentir viu? Ô se tá! Chego a me pegar quase chegando perto. Em outros tempos eu estaria deixando de viver aqui, e me entregaria aos pensamentos, mas hoje...ah, hoje eu vivo aqui, e penso quando dá tempo pra pensar. E é bom demais. Saudaaaaade meu Deus!!!!

Ano que vem? É mesmo, tá chegando. Que venha. Na verdade é só um calendário que vira, mas quem planta e semeia sempre, tá bem tranquilo [sem tremaaaa] sabendo que tudo acontece no tempo certo, idependente de que ano seja. Mas vá lá, vamos nos entregar às convenções. Ultimamente meus anos têm sido um crescente de experiências, cada vez melhores. O próximo eu sei que será de muito trabalho e colheita. Plantei muito nesse ano que passou, concretizei todas as minhas metas para ele, e sei que em 2009 a palavra chave será: escolha!!! Eu vou ter que fazer muitas escolhas. Mas eu gosto muito disso. Escolher é comigo mesma. Não sofro não, não fico pensando demais. Na verdade eu escuto minha intuição, dou uma mini pensada e me jogo. Ultimamente tem dado muito certo.

Tenho textos pra escrever. E tenho que começar logo. Projetos novos. Trabalho muitos. 

E pra finalizar de maneira bem brega: a melhor coisa é olhar pro lado, e ver que você mudou [literalmente e não] que as pessoas mudaram, os contextos são outros, mas quel realmente faz parte da nossa vida, segue tendo a mesma importância e necessidade...e melhor, as relações mais duradouras da vida são as que acompanham as mudanças, porque é sinal de que você gosta da essência do outro, e isso é o que vale. Amém!!!


[odeio quando escrevo esses posts meio diários...mas foi o que deu vontade de escrever...acho que é o ócio hehehe]

Thursday, December 25, 2008

toca na minha vitrolinha...

Mais uma vez Eu vou lhe deixar Mas eu volto logo pra te ver Vou com saudades no meu coração Mando notícias de algum lugar Eu sei que muitas vezes te fiz esperar demais Mas, mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais Fico imaginando você vivendo Na solidão Uhhh! Quando vou deitar penso em você  Em seu quarto dormindo Ahhh! Longe de você meu bem Longe da alegria Longe do nosso Lar, longe de você meu bem.


[eu volto logo, pra qualquer lugar]

Monday, December 22, 2008

leve levíssima!!!

O segredo? Leveza. Sabe o que é isso?! Nunca na vida segui passos tão leves como os de agora. E ser leve - ao contrário do que pensei por muito tempo - não tem nada a ver com pouco caso ou desprendimento aleatório. Não! Bem pelo contrário até. A atitude da leveza tem a ver com o zelo, com o bem querer, com desejo e vontade, com objetivo, com foco, com vida, com amor. A vida tem pedido cada vez mais leveza, e eu tenho atendido. E a cada peso que eu me livro, sinto um passo que flutua em direção ao que almejo, sinto como se fosse uma flecha certeira no alvo do que eu busco e quero pra minha vida. De todas as metas de 2008 [praticamente cumpridas na sua totalidade] a mais difícil, pela subjetividade, era a leveza. E não é que alcancei? Claro, ser leve é como ser ator, não existe um ápice, nem um ponto onde se possa considerar finalizado, é um caminho permanente de busca e crescimento, trabalhando o corpo, o espírito, a cabeça e a alma [embora isso tudo seja uma mesma coisa]!
Das novas metas pra 2009 [não que eu leve muito a sério essa divisão de um tempo, que na verdade é único e contínuo] uma permanecerá ali na listinha: ser leve!!! Ainda existem pesinhos desnecessários sendo carregados. Vamos trabalhar neles nos próximos tempos, e continuar cultivando as levezas conquistadas, que podem ter mais atenção ainda. Pretendo conitnuar trilhando meus caminhos profissionais com passos firmes, porém leves, desprendidos, abertos para possíveis atalhos e desvios, sempre dentro da mesma estrada, claro!!!
Sempre falei muito em leveza,mas pouco havia experimentado de fato. Hoje eu posso dizer que não tem jeito melhor de viver a vida. E eu sei que esse post tá virando comercial de margarina zero caloria, aquela que deixa você super leve, mas eu sempre deixei claro que tenho minha veia patética, clichê e cafona!!!! Ainda bem, e hoje vivo essa versão com muita leveza, e todas as outras versões também. Que bom!!!!

Não tenho mais idéias pra escrever, e como levo esse blog com muita leveza [esse sim desde o início] me despeço por aqui, e se for esse o último post do ano [ que por sinal foi extremamente transformador e inovador na minha vida] aproveito pra desejar um feliz Natal [não gosto muito da data, mas tem lá seu valor] e um início de ciclo [embora cada um tenha seu próprio início de ciclo nos cumpleãnos] cheio de atitude, cheio de coragem, cheio de vontade, desejos, amores, sentidos, sonhos, objetivos, cores, cheiros, sabores, lugares, pessoas, lembranças e acima de tudo LEVEZA, muita leveza, baldes de leveza, pra que possamos voar sempre, mesmo sem sair do chão!!!

Salve Jorge!!!!

Thursday, December 18, 2008

na reticência do caminho

Se puderes continuar teus passos seguidos de tantas reticências...que seja linda tua caminhada...mas talvez, sempre, com um pouco de ausência, um pouco de quase, um pouco daquilo que poderia ter sido e não foi...eu sempre admiro menos quem se acovarda, quem diante do medo pára, e não segue em frente, mesmo que toda sua alma peça para seguir...

que seja linda sua caminhada...e que suas reticências não lhe privem, por muito tempo, de uns bons pontos de exclamação!!!!


(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

Monday, December 15, 2008

plantando e colhendo

Cinco meses às vezes têm o tamanho de muitos anos. Várias trilhas sonoras, vários cenários, várias frases de efeito. O ano nem acabou e já tá abrindo alas pra um que promete ser ainda maior. O coração agradece e não tem do que reclamar, quilos mais leve ele anda em direção ao mar, com a brisa batendo de leve. O bolso tá meio furado, mas tudo bem, investir faz parte da vida. A alma? Essa tá inteirinha e muito intensa. Tem feito sol mesmo caindo água do céu. O horizonte virou um quadro lindo de se enxergar. A casa é acolhedora, a mesa farta, os pés caminham. A arte? Ah, que coisa linda, firme e forte. A atriz? Cada vez mais no caminho, e certa, e firme, e feliz... A cidade? Ah, já se sabia que era pra ficar [por algum tempo]... As saudades? Só fazem lembrar quanta gente boa existe no mundo. E os novos??? Ah, mais gente boa ainda pra se descobrir!!!

Que 2009 venha pra ser mais o dobro que já foi 2008. Tá na hora de colher o que se plantou, em terras bem férteis!!!!

Friday, December 05, 2008

eu, eu mesma e eu

Ultimamente tenho andado de mãos dadas comigo mesma, como nunca antes havia feito [não assim]. Sempre fui de me levar pra passear, me levar pra ir ao cinema, pra comprar no shopping, pra ouvir música. Sempre fui de me retirar das festas, ou dos lugares em momentos estratégicos, porque estava com uma forte vontade de me levar pra algum lugar, me sequestrar e passar horas em minha companhia. Mas agora é diferente. Eu nem to precisando me roubar. Eu to indo pra todo lugar de mão dadas comigo. Eu não tenho necessidade de pequenos momentos ao dia para ficar a sós comigo. Ao contrário, eu nem preciso mais ficar a sós comigo para estar comigo.
Ultimamente tenho andando comigo em público, no meio da festa, no meio do ensaio, no meio da casa, no supermercado, e por aí vai... Pessoas entram na minha vida, algumas me balançam muito, surtam, somem, enlouquecem, e eu, mesmo estando surtadinha por elas, ainda assim não me abalo, e quando olho pro lado percebo o porquê: minha mão está segura, bem firme a mim mesma!!! Outras pessoas entram na minha vida e eu as balanço, ligam, procuram, querem estar comigo a todo custo, aí eu descubro que quando a gente segura firme na própria mão, todo mundo quer segurar também, mas não sei se estou disposta a uma terceira mão, não agora.
Tem certas coisas na vida que a gente deve curtir ao máximo. Esse momento, por exemplo, é um deles. Eu to muito apaixonada por mim - desculpa aí. To achando minha companhia ótima, me divertindo comigo horrores, lendo, rindo, ensaiando, conseguindo alcançar meus objetivos, conquistando uma leveza invejável pra mim mesma...
Claro que as pessoas sentem isso e querem se aproximar, mas ... a vida não é a arte do encontro, apesar de tanto desencontro? Então, vão ficar querendo... Porque agora, só sendo algo muito perturbador pra me permitir segurar uma mão a mais [sim porque largar a minha não pretendo].
Tantos anos querendo segurar alguma mão, e eu venho perceber agora, que a melhor mão do mundo pra mim, tava bem do meu ladinho. To adorando essa nossa caminhada. Eu e eu mesma estamos nos dando muito bem, estamos vendo o mundo de uma maneira diferente, estamos colocando menos expectativas nos outros, estamos agindo em direção aos nossos objetivos, estamos colhendo frutos que plantamos sozinhas, há muito tempo. Casamento perfeito esse. Nem preciso me preocupar com divórcio, nem papelada. Eterno não enquanto dure, eterno pra sempre, porque esse nem a morte separa!!!

É isso aí.

Wednesday, December 03, 2008

o pior efeito colateral da distância é a impotência

O pior efeito colateral da distância é a impotência. Logo pra mim, que sempre fui de sair correndo ao primeiro chamado amigo [desesperado], não importasse a hora. Logo eu que sempre fui e sou de ajudar sem pensar em querer nada [síndrome da madre tereza?]. Logo eu!!! Me faz confusa e impotente saber da tristeza de um querido amigo e não poder fazer nada além de um telefonema, um recado no orkut, um pensamento positivo, um depoimento... Queria abraçar, conversar, olhar no olho, ficar em silêncio junto, chorar, viver...
Aliás ando distantes dos meus amigos mais irmãos, mais necessários, mais queridos. E amo eles mais ainda a cada tempo que passa. Me sinto junto. Me sinto perto. Me sinto parte. Só que às vezes irrita não estar fisicamente presente!!! E como...
Espero que fiquem bem, todos eles, e quando não, saibam que estarei junto de alguma forma.

E a minha irmã de alma, muita luz e alegria...e como diria martha medeiros: “O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções”.

Tuesday, December 02, 2008

uma aprendizagem, ou o livro da leveza

No silêncio da hora e da insônia, ela se perguntava se deveria pensar mais. Que coisa toda fora aquela que lhe arrancou o estômago?! Andava de um lado para o outro da sala. Na janela olhava as luzes apagadas dos apartamentos que deviam estar em paz. Sentia um nó. Teria saudade? Sim. Mas não sabia ao certo que fazer. Ficava entre se jogar ou não. Mas se jogar aonde? Já havia colocado os pés bem próximos, mas o abismo com medo de sua ânsia, mudou de lugar. Nem mesmo o abismo sobrevivia ao excesso de vida que carregava. Coragem? Estava acordada a noite inteira. Pensou em escrever, mas não lhe sobravam palavras. Pensou em ver TV, mas não lhe sobrava paciência. Desistiu de brigar e se entregou aos olhos que abriam cada vez mais. Enxergou um tanto de sí, que sofreu. Sentiu-se enfim dona de algo que não sabia bem o que era. O peito estava em desordem. A cabeça insistia em tomar a frente. As mãos sentiam falta. Onde andaria toda a naturalidade do início? Seria culpa sua essa ausência de agora? O que fazia para afastar até abismos? Quando achava que estava aprendendo algo, descobriu que faltava ser!!!!

Monday, December 01, 2008

eu acho

"La memoria del corazón elimina los malos recuerdos y magnifica los buenos, y gracias a ese artificio, logramos sobrellevar el pasado." Gabriel García Marquez


E não é então a única memória que deveríamos ter?!

O coração se fosse escrever uma carta hoje, diria palavras leves, como se fossem bolhas de sabão flutuando num céu azul - de verão!!! Entre quedas, tropeços e empurrões, ele sempre saiu na boa, no fim de tudo. Com sorte segue esbarrando em gente do bem. Algumas do bem demais pra ele. [sim meu coração adora uma encrenca] Outras passageiras demais, e que só são tão perfeitas, porque têm velocidade de cometa, e a gente só tem tempo de enxergar as qualidades. O coração anda meio fugaz ultimamente. Meio amando um em cada esquina e noutro dia não podendo nem enxergar o rosto. Mas conserva todo seu romantismo apesar de...e segue gostando do mais difícil, daquilo que lhe faz perder o ar, parar tudo, perder a hora. Tem a frase que diz né: amo mais o desejo que o objeto desejado...meu coração também...eu acho. Mas se bem que eu pararia tudo - eu acho - e abriria mão da baderna aqui de dentro, abriria mão dos amores perdidos nas esquinas boêmias desse lugar, abriria mão do romantismo de história que guia meus impulsos...eu até acreditaria que se pode gostar de uma mesma pessoa por muito tempo, adoraria a rotina, me entregaria ao dia a dia, e deixaria que me vissem toda descabelada [já deixei]...faria sim tudo isso - mas eu acho!!! Porque mesmo depois do momento de ebulição, mesmo agora que eu tenho cabeça pras 500 outras coisas que tenho pra fazer, mesmo agora que voltei a conseguir me concentrar, mesmo agora, continuo achando lindo, continuo suspirando, continuo querendo mergulhar, continuo querendo essa encrenca.......e talvez a única explicação é porque me tornou um pouco mais leve, e minha busca tem sido sempre pela leveza!!!!!

Monday, November 24, 2008

textotextotexto

Feliz? Não sei se essa palavra é a certa. Só sei que ando bem, muito bem. E sem medo de cantar aos quatro ventos, porque eu não acredito em tanto poder de coisa ruim, principalmente porque não emano isso pro universo. Não há melhor sensação do que esta de se sentir absolutamente responsável pelo próprio caminho. Se um dia eu acordar achando tudo uma bosta, detestando cada escolha e não me encontrando mais, terei a plena certeza de que é tudo responsabilidade minha. Foram as minhas escolhas, os meus passos, as minhas renúncias, os meus desejos. Nunca fui de dar muita "bola" pra gente que se mete no sonho da gente, principalmente porque sonho é uma das raras coisas que a gente não consegue comprar em loja, e uma vez destruído, dificilmente se recupera, e também vida sem sonhos é muito sem graça. Sempre tentei escutar minha intuição e meu coração pra tomar minhas decisões e optar pelos caminhos e direções.
Sigo na minha. Quietinha, fazendo o que gosto e acredito. Sempre com fé nos seres humanos, até porque tenho muita sorte de atrair os melhores da espécie pra perto de mim. Sempre com fé na boa educação, no caráter firme, na honestidade, na gentileza, na arte, na humildade, na sinceridade, na lealdade, no sorriso, no afeto e no amor. Eu sou um ser humano super brega no fundo, e adoro isso!!! Acho que cada dia vale à pena, e o que acaba ficando são as coisas mais simples mesmo. Não me preocupo em cativar zilhões de pessoas, nem em parecer legal, quem me conhece sabe. Sem querer acabo agregando as pessoas, e levando gente boa ao meu lado por anos e anos, independente a distância. Mas não faço esforço maior que ser educada e simplesmente sincera com meus sentimentos. Se eu gosto eu gosto e pronto, fica estampado no meu ser inteiro. Também nunca me preocupei em gostar de alguém pelo cargo, nome, posição, atributo físico ou ajuda qualquer que pudesse me oferecer. Nem pensar, pessoas pra mim são pra acrescentar coisa que a gente não encontra fácil, são para ensinar e fazer crescer, são pro abraço, pro beijo, pro ombro, pra lembrança boa, pro erro!!! Sou contra aproximações interesseiras, sou contra bajulações, mesmo mesmo!!!
Procuro conseguir minhas conquistas sendo eu mesma e com as ferramentas que possuo, procuro trilhar meu caminho de maneira que não pise em ninguém, que não humilhe ninguém, que não passe por cima de ninguém. Vou em silêncio seguindo o vento, e aos poucos vou alcançando meus objetivos. Não me faço, nem nunca me fiz dos elogios que recebo e recebí, nunca achei que fosse melhor que ninguém, sempre procurei focar em evoluir como pessoa e artista, sem maiores frutices. Aliás, tenho uma preocupação com meu ego imensa, e quando acho que ele dá um infladinha eu vou lá e chicoteio. É uma opção, porque eu detesto ego inflado, acho que não leva a nada.
Sabe outra coisa que eu detesto? Mentira, injustiça, traição, pobreza de espírito!!! Mas também estou longe de ser perfeita. Aliás tenho zilhões de defeitos, essa que é a verdade. Mas aprendi, acho que com minha mãe, que é preciso olhar pro outro, enxergar as pessoas ao redor, e que o mundo não se resume a nós!!! COLETIVIDADE, é tão fácil exercê-la, e podemos fazer a todo o momento.
Ai ai...
Hoje eu queria agradecer eu acho. Às pessoas queridas que fazem parte da minha vida, que me icentivam, dão força, estão comigo independente o momento. Obrigada mesmo. Sei lá, eu acho que não se chega em lugar algum sozinho, e se estou vivendo uma fase assim na vida, tão promissora, devo muito, a muitos!!!

Aqui segue uma cartinha que minha mãe me escreveu quando eu tinha o quê, uns oito anos:

"Marininha,

"Hoje ouço ao longe o grito do amor. Mas perto de mim tenho a coisa mais bela - você Marina, minha paz e felicidade."
Filha sabes que sou e serei sempre a tua melhor amiga, aquela que poderás contar sempre nos bons e maus momentos.
Gostar de ti não significa te dizer sempre sim, fingir que não vejo as coisas erradas, sou tua amiga sim quando também digo "não"e te mostro o certo e o errado.
Sabes que a mãe jamais te mentiu, pois a mentira nos deixa viver num mundo de falsidade.
Procuro sempre te oferecer tudo o que é de melhor: amor, compreensão, educação e carinho.
Espero que continues sendo essa pessoinha maravilhosa que és: amiga, amável, sincera, estudiosa e sobre tudo respeitando todas as pessoas que estão a tua volta.
Filha nunca tenhas medo de falar as coisas que tens dentro de ti, pois sempre terei tempo para ouvir, pois te amo acima de qualquer coisa neste mundo.
Nunca valorize as coisas materiais, em primeiro lugar estão as pessoas e nossos sentimentos.
Não esqueça que acima de nós existe alguém tão maravilhoso que nso criou e nos deu o direito de viver e por isso precisamos acreditar na bondade e no amor.
Filhinha procure sempre viver com amor, bondade, sinceridade e então serás uma pessoa feliz, um ser humano cmpleto.

Te amo muito e há muito tempo

Da amiga e mãe Bárbara
Acredite sempre em mim e te quero muito".

Enfim, a gente se torna muito da educação que recebe. Obrigada mãe, por tudo e principalmente por sempre ter deixado aberto o espaço para a minha individualidade. Assim, cresci crendo na bondade e no amor, e pude fazer minhas próprias escolhas, ter minhas próprias crenças (que não incluem esse ser acima de nós como o dela) e seguir meus próprios caminhos!!!!

Friday, November 21, 2008

...

Não é uma simples separação que me dói, não é o fato de alguém sair da minha vida - e eu sair da vida de alguém. O que me causa um certo eco na alma é perceber que o amor foi embora mesmo, e que já não se guarda mais nem a esperança de um dia revivê-lo - aquele amor -, porque perdeu-se a vontade, e ele virou um amor gasto, sem cor... Aquilo que antes parecia o seu mundo inteiro, virou uma espécie de lembrança que cada vez provoca menos sensações, menos emoções, e por fim menos lembranças. Pra mim é um luto. E a foto segue sem nexo no mural, só pra constar o que um dia foi especial.

A sina de quem ama mais o ato de amar, do que a pessoa amada...seja talvez sofrer por não estar mais sofrendo...

caiu ele?

Então senhor, devia ele mergulhar, saltando toda a distância, sem saber o que vinha logo abaixo - ao longe - ? Podia ser que o salto fosse lindo e lhe causasse imensas euforias, mas podia ser que fosse nervoso e tenso. Podia ser que ao fundo houvesse muita água, que na profundidade infinita nadasse solto, quase voando, e quem sabe fosse tudo muito cristalino em nem precisasse fechar os olhos. Mas podia ser que não, que houvesse pouca água e lhe sangrasse a cabeça.
Impulsivamente pularia, racionalmente não. Se não pulasse os sensatos o aprovariam, os impulsivos não - vice versa. Mas nenhum ser no planeta poderia julgá-lo, porque ninguém sabia de fato o que havia ao fim da queda, cabia a cada um afirmar suas teorias e defender suas teses, mas certeza, ninguém...
Talvez fosse a vida sempre assim, ausente de certezas e presente de fatos, decisões e escolhas. Renúncias por conseqüência, escolhas pelo outro lado. Nem melhor, nem pior, apenas um caminho ou outro, e em ambos poderiam existir coisas boas e ruins, desde que a escolha fosse feita de coração aberto e verdade em mãos. Nada mais se exigia dele, apenas que vivesse de acordo com suas vontades - não seus impulsos ou suas coerências - apenas suas vontades, que poderiam variar entre pular ou não...

ps: ah, só mais um "adendo", é sabido também que sua vontade não deveria ser guiada pelo medo, pelo olhar do outro, e muito menos, mas muito menos, por comparações com experiências anteriores, porque todos ali tinham conhecimento de que cada pulo constituia-se numa experiência diferente da outra, repleta de particularidades e características infinitas e fora do eixo das repetições. Como crédito de novela: "a semelhança com fatos reais é mera coicidência"...assim também as repetições, nesse caso, seriam obras do puro e total - as vezes maldito - acaso!!!!

Tuesday, November 18, 2008

mudando...

No começo mudanças parecem muito difíceis. Antes do começo até acho que parecem mais difíceis ainda. Chegar num lugar novo, com gente nova, novos desafios é nada fácil. E a saudade, e o vazio, e o medo de deixar pra trás aquilo que se havia construído - uma certa reputação, um certo caminho profissional, certos amigos, certa família, certas lembranças.
No início a qualquer momento parece que a gente vai fraquejar e voltar correndo, sedento pelo abraço e pelo olhar já conhecido. Quantas vezes pensei nisso, chorando no quarto lembrando o tempo remoto...Hoje parei pra pensar quanta coisa eu teria perdido se não tivesse vindo parar onde estou, ou se tivesse cedido aos primeiros soluços. Quanta gente eu não teria conhecido, gente que hoje já começa a ser indispensável na vida. Quanta coisa eu não teria feito e experiências novas eu não teria vivido.
A gente larga toda uma carga de vida num lugar, coloca os pés noutro sem nada construído, e passado poucos meses você já tem toda uma nova carga. E o mais interessante é que o que ficou pra trás, só ficou geograficamente falando, porque vem junto com a gente, a reputação, o caminho profissional, os amigos, a família, as lembranças...tudo fazendo parte do que a gente é.
Hoje eu já penso na saudade que eu vou sentir dos daqui quando eu for pra lá tirar umas férias, e quando eu estou aqui sinto falta dos que ficaram lá, no fim a saudade só aumenta, e isso é bom demais.
Ando conhecendo gente muito bacana, no começo eu achava que isso era impossível - maldito fechamento que a gente se impõem às vezes. Ando cada vez mais gostando de morar nessa cidade maluca com todos os seus defeitos, alagamentos, assaltos...mas também todas as suas qualidades, a leveza das pessoas que andam nas ruas, a beleza, o sol, os sorrisos, o colorido, a mistura maluca de gente diferente... Aqui eu tenho encontrado um pouco mais a mim mesma, de uma maneira diferente. Aqui eu tenho mergulhado mais no meu caminho, descoberto que o mundo tá cheio de pessoa do bem e graças ao universo eu tenho a sorte de atraí-las. Aqui eu tenho sido mais leve!!!
Hoje eu não sei mais viver noutro lugar, não sei mais viver sem agregar aos meus outros queridos, os queridos que encontrei aqui, não sei mais não fazer a arte que faço aqui, não me imagino mais como a Marina que eu fui.
A gente resiste tanto às mudanças, e no fim a gente esquece que a vida é feita de não saber como será o amanhã. Então porque tanto medo de mudar, se tudo já muda mesmo?

"É preciso mudar muito para ser sempre o mesmo"
E não é?


*texto ruim. mas vá lá.

Friday, November 14, 2008

"passa tudo"!!!

Não sei se eu tenho a síndrome do "vamos pegar o caminho mais difícil" ou o quê, mas sei que sempre me vejo apegada na pedra da montanha mais íngrime, a um fio de me estabacar no chão. Pior que aparento ser uma pessoinha que programa bem as ações e planeja cada passo, mas no fim, eu sou uma impulsiva maluca que se joga naquilo que o coração ou a intuição manda. Lá vai a Marina pra mais uma empreitada que ela podia muito bem viver sem. E podia mesmo? Já não sei mais até que ponto eu escolho ou acabo sendo vítima das minhas escolhas. Já não sei mais até que ponto minha intuição me salva ou me liberta.
É como se o "cara" [pivete estúpido, cuja alma foi roubada pela vida, ou sabe-se lá pelo quê] tivesse me levado muito mais do que levou [as coisas a gente compra de novo e dinheiro vem, às vezes às duras penas, mas vem...]. Saí dalí meio vazia por inteiro. Vazia de sensação que prestasse pra alguma coisa. Vazia mesmo. Saí pensando pra qual caminho meus pés seguiam. Que tipo de música estava tocando ultimamente. Qual era o ritmo do coração. O que de fato andava valendo à pena. Saí pensando na minha verdade. E pensei em um monte de mentiras.
Saí dali cheia de dúvidas, inquietações, trsitezas, lamentos. O mundo anda como? E o que eu faço por ele? Ou o que eu ando fazendo pelo meu mundo? To me sentindo polvo com várias mãos, mas sem agarrar nada. O que adianta saber fazer uma porção de coisas e insistir numa mesma? Ou não saber o que fazer com as outras? O que adianta ter tanto amor no coração se eu insisto em ser meio consumida por uma meia dúzia desses que arrasam a vida? O que adianta se aventurar, pra depois entrar numa onda de marasmo que pela madrugada me irrita [assim sem vírgula mesmo].
Daqui um ano, por onde meus pés andarão? E o que de bacana eu terei feito na vida? Aliás, o que de bacana fiz até agora? O que eu construí de fato? O que eu pretendo de mim? Às vezes essas coisa de seguir rumo ao vento me deixa confusa.
Eu sempre quis fazer grandes feitos, viver grandes amores, conhecer grandes lugares. Eu tenho mania de grande. Mas eu gosto muito do pequeno também, e muitas coisas significativas na minha vida vieram de coisas quase invisíveis... Mas eu penso que ando muito confusa, em todos os setores, eu penso que o chão tá meio espumoso. Parece que achei uma grande droga e viajei nela sem parar - o efeito não passa.
"O que tem pra perder aí? O que tem pra perder aí?" Não sei "amigo", vai depender do que realmente importa pra mim e pra você. Talvez pra você eu tenha pra perder uns vinte contos, um celular, um mp3 e mais alguma ou outra coisa bagaceira que lhe seja útil, pra depois você ir comprar a sua droga, de efeito mais rápido que a minha. Mas o que eu tenho pra perder? Bom, uns amigos bons e raros, uma família, uma dignidade, uns princípios, uma meia dúzia de sonhos, e uma alma. Quer levar?
Até que ele foi educado porque ele perguntou o que eu tinha pra perder, e também ele chegou já dizendo ao que vinha: "passa TUDO". E quem leva tudo sem nem avisar? Quem leva a paz de espírito? O amor? O coração todo rasgado? Quem leva o ar que a gente respira? Já me levaram isso algumas vezes, talvez porque eu tenha "marcado toca", e andado de noite distraída. Mas se tivessem me avisado, como ele, talvez eu tivesse preferido não passar tudo - assim como fiz com ele - e tivesse me dado o privilégio de entregar somente o que eu achava que não fosse me causar muitos problemas depois.
E quando eu não ando distraída, eu ando embebida da tal droga que me invade, e me faz abrir todas as portas fechadas, querendo curiosamente saber o que se esconde em cada uma delas. Já não tinham tantas portas abertas Marina? Pra que mais uma? E vai dar conta de administrar todas? Já te disseram que você pensa demais? E agora? Ando distraída ou ando olhando tudo curiosamente? E se me pedirem de novo: "passa tudo"!!! E se não pedirem??????

Que que tu tem pra perder ai??? Hein???

Wednesday, November 12, 2008

clarice, sempre clarice...

Berna, 2 de janeiro de 1947

Querida,

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo.

Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu… em que pese a dura comparação… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões — cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida — que não era maravilhosa mas era uma vida — eu me transforme inteiramente.

Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: "Você era muito diferente, não era?" Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você — respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você — pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita — não copie uma pessoa ideal, copie você mesma — é esse o único meio de viver.

Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia — será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.

Tua

Clarice




*então, a menina, que sempre preferiu se jogar e dar com a cabeça na pedra, do que permanecer a salvo, hoje descobriu quem nunca tinha se jogado de tão alto como nos últimos tempos...e assim, hoje, ela é mais leve, mais faceira e mais borboleta que ontem...

Saturday, November 08, 2008

são só palavras

não faça bem mas que também não faça mal...

to com vontade de escrever, mas não tenho nada pra dizer, assim, propriamente dito. já disse muita coisa por aqui...ou pelo menos tentei. eu tenho essa mania de escrever, que eu não sei até que ponto me encurrala ou me liberta. eu me irrito às vezes - anarquista sempre - com essa mania que o povo tem de transformar tudo em dinheiro. talvez eu não sirva pra esse mundo que vivo, mas eu não curto muito essa nóia não. "marina mas você escreve tão bem, profissionalize isso", "marina você tem tudo pra dirigir muito bem", "criatura ai como fotografa, investe"...caraca, não dá pra me deixar ser aqui a atriz que eu sou levando junto todo esse resto que me acompanha? como a clarice bem dizia, pra que dar nome? e eu não pretendo mesmo ganhar dinheiro escrevendo. porque aí eu ganhava dinheiro mas perdia a minha terapia constante, aliás, a única que me limpa a alma de verdade. sempre escreví, e sempre ficaram visando futuros em cima disso. mas a louca da marina resolveu ser atriz, gostar da coisa e acreditar, o que era pior. a louca da marina se lançou numa faculdade de teatro. a louca da marina que podia ter sido médica, dentista, advogada, ou qualquer outra coisa, virou uma maluca assumida. graças a deus. deus? enfim...e nessa corda bamba de não ter dinheiro hoje pra ter amanhã, de não saber como se acorda no dia seguinte, de fatigar numa semana e ociar na outra...enfim...essa corda bamba que é o real equilíbrio da minha vida...talvez o único. conhecí muita gente por aí. e carrego muitos comigo. gente boa. e passei a escrever mais. mas se me perguntarem onde esse caminho vai me levar...eu respondo perguntando: e precisa levar pra algum lugar? já não é um caminho? maldita mania do amanhã, maldita mania do resultado..e o processo, e o hoje...AGORA!!! não sou a melhor pessoa pra isso, mas confesso, se já dá pra notar uma diferença na marina que deixou a ilhota perdida, essa diferença é a leveza adquirida por viver mais agora que amanhã. o instante é quase lá...mas quase, vira o que não foi, não é...enfim...ouvi los hermanos demais hoje, e senti na alma o quanto a vida pode ser, de fato, bem vivida, se a gente não liga tanto pra fora. mas aí cinco minutos depois eu já andava pensando que precisa arrumar um jeito de ter estabilidade. estabilidade? mas não é justamente isso que eu detesto? vai saber...essa música da roberta (cicatrizes) me transporta pra um passado remoto, de maneira tão verdadeira, que posso sentir tudo outra vez...e pra quê? não sei...algumas coisas na minha vida eu desisti de entender. são. ponto. e se nem tudo é perfeito, eu que não carrego mais aquela saudade agoniante (até porque em breve revejo o povo), carrego aquela saudade constante, que em alguns minutos consome. talvez não derrame tantas lágrimas quanto antes, mas sinto cada ausência, nos bons e nos maus momentos, e penso que naquele refrão faltou quem gritasse junto comigo...


*um texto meio estranho, mas vá lá...






nada sei...

aqui

mais tarde

ontem passou na tv


oi?

nós

eu

onde foram?

não sei no silêncio
a música tocava e passava um vento


pegaram a minha mão
levaram pra perto
longe
ao certo
vem aqui logo
sai
agora eu que não sei de mais nada
só sei que nada sei, já diria o filósofo....

Thursday, November 06, 2008

possibilidades

a possibilidade de uma paixão. tema de peça de teatro. me fez pensar...

olha só, já parou pra pensar quantos encontros, ou melhor quase encontros, te escaparam na vida? aquelas pessoas que às vezes, só numa olhada, pareciam te rpotencial pra ser o amor da sua vida. mas são tantos motivos pra seguir em frente e deixar pra próxima. ou porque o coração já pertence a outro. ou porque há algo mais importante para se fazer. ou por falta de coragem. ou por se estar desligado. ou, ou, ou...e nessa imensidão de ou's a gente talvez deixe de viver absurdamente várias experiências. é mas tudo não dá pra viver mesmo...

mas não era sobre isso que eu queria falar ou escrever. mas a possibilidade da paixão. ou a própria paixão. que mexe com cada fio de cabelo e com cada canto da alma. viver desapaixonado é muito morno. e a tendência é mesmo a anestesia...o povo não vai sentir mais nada. mas e quando a gente sente e não sabe o que fazer. e sente mesmo? e quando o melhor da paixão é só ficar no talvez, ou no e se tivesse sido????

muitas dúvidas...

Wednesday, November 05, 2008

tempo tempo

tudo tem sua hora, mas a vida, no entanto, não se trata de uma espera passiva...talvez esteja mais para uma seqüência de ações pacientes...vezes planejadas, outras nem tanto...mas o certo é que alguns momentos são evidentemente mais certos que outros, e entra em hamornia quem souber captá-los a tempo...

isso nunca fez tanto sentindo na minha vida quanto agora...o tempo...sábio tempo...e sabidos nós quando conseguimos trabalhar a favor dele...

Saturday, October 25, 2008

dadedadedade...


Saudade legítima. Vontade de estar naquele escurinho avermelhado ouvindo o público chegar. Perder no esconde esconde (nunca ganho). Fazer sorrir, chorar, envolver. Me emocionar contemplando. Estar de mãos dadas. Olhar no olho. Brigar. Encher bexigas. Estressar. Ouvir Tom Zé. Sentir frio na barriga. Fazer parte de algo que me move, com pessoas que me movem.

saudadedadedade....

sábado de mau humor

tudo que eu precisava ler ou reler nesse sábado ensolarado desta cidade maravilhosa, que não está combinando muito com meu humor...

O ATOR
Por mais que as cuentras e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida.
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer de forma a atingí-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição e que por desencanto ou medo se sujeita, e inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns de libertação.
Os atores tem esse dom. Eles tem o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existe defesa.
Os atores, eles, e não os diretores e autores, tem esse dom. Por isso o artista de teatro é o ator. O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor do teatro é bom na medida em que se escreve peças que dão margens a grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios.
É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor das personalidades de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instinto e sensibilidade padronizados, como os hipócritas em seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ato no desespero de sua insegurança, quando ele como que viajando solitário sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano, reprimido, violentado.
Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia os alcijões de alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor.
Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter não é o dinheiro, mas são os aplausos - é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza.
Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica.

PLÍNIO MARCOS

* então a cabeça tá meio pensando demais, odeio!!! daqui a pouco vai chover, aí o tempo fica mais de acordo com meu humor. e...bom, os sacrifícios, e as renúncias...


Thursday, October 23, 2008

minha gente

meu maior "lucro" (meio capitalista a expressão mas vá lá) são sempre as pessoas.
dinheiro vai, inda mais cachê de ator que mal vem. sucesso? fugaz...
nessa profissão etérea se tem alguma coisa que fica, são os encontros verdadeiros. amigo não enche barriga. de fato não. mas pode ajudar a trilhar o caminho, fazer uma escolha, aliviar a alma.

e nesse quesito, desculpa a falta de modéstia, mas to muito rica. cada um deve dizer: os meus são os melhores. mas os meus são mais. já conhecí muita gente estranha e do mal nessa vida. gente falsa. mesquinha. superficial. gente competitiva e invejosa. gente egoísta. gente de pedra. os meus...ah os meus...os que ficam, ficaram e ficarão!!!

tenho sorte de esbarrar com gente boa. tenho muita sorte eu diria. gente que eu bato o olho e gosto, mesmo quando eu insisto em achar que não gostei. gente que eu bato o olho e acho que nada a ver, mas no fundo tudo. e gente que eu bato o olho e gosto mesmo e pronto, principalmente com o passar do tempo, a maturidade faz a gente entender além dos clichês e ver além das primeiras impressões, fazendo com que a gente chegue mais rápido na essência.

o preço disso tem sido um pouco a saudade. um muito. meu deus, quanta saudade.

ao mesmo tempo, pessoinhas muito queridas aparecem, surgem do nada, e eu já não me imagino mais sem tê-las para admirar, pra me inspirar, pra gostar. gente me inspira. me eleva a alma, me faz criar.

meus amores têm jeitos e maneiras muito diferentes umas das outras. tem gente que rí muito e gente que costuma chorar mais. tem os talentosíssimos naquilo que fazem. tem os que são talentosíssimos em muitas coisas e se perdem um pouco. tem os que ainda não se acham talentosíssimos, embora sejam muito. todos são bonitos, cada um no seu cada qual. tem os exuberantes. tem os charmosos. tem os de outro universo. ah...chato seria se fossem iguais...
pra muitos o único ponto em comum talvez seja eu...

gosto muito de quem faz parte da minha família maluca escolhida ao longo da vida. o vai e vém de cotidiano que não modifica jamais o amor. e tudo o mais........


quem dera todos tivessem alguém pra quem bastasse olhar e ser lido por inteiro.

amém!!!!

Saturday, October 18, 2008

retratos de uma cozinha

A purpurina na mesa espalhada
O pão passado de brilho
A dor no estômago
O chão molhado
Lambia
O cachorro abanava o rabo
Passava pra lá e pra cá
O cheiro de erva doce
O jasmim na rua voando
O avental sujo de feijão
O teto


Retratos de uma cozinha.

Sunday, October 12, 2008

novo



Novo trabalho. Estréio quarta feira no festival nacional de Cabo Frio!!!

Uebaaaaaaaaaa!

Thursday, October 09, 2008

gastando tempo

Estava cá eu pensando com meus botões - aliás já meio cansados de pensar junto comigo - e cheguei ao seguinte raciocínio: como o ser humano deixa o tempo propício de um encontro passar!
Na aula hoje exploramos esse tema. Quando você já não se viu em uma situação em que esbarrou ou conheceu alguém que podia ser um - e não o, porque não vamos lidar com felizes para sempre - grande amor em sua vida? Até aí tudo bem a gente deixar passar, porque se eu for abordar todo cara interessante, com o qual rola uma olhada suspensa nas idas e vindas de ônibus por essa cidade, eu vou ficar muito maluca. Mas e quando a gente deixa o tempo de um encontro passar, já estando nele? E quando a gente tinha tudo ali, atenção, o sorriso, o carinho, o abraço, o respeito, o amor, mas por motivos muitos a gente se distrai, ou foge, ou deixa passar porque acha que depois alcança no meio do caminho?
Pior que a vida anda, o tempo passa, e as pessoas caminham - graças - e às vezes só sobra a poeira. E tem quem queira dialogar com ela, há quem queira, diante da poeira, buscar o tempo perdido, resgatar os olhares, os tropeços de fôlego, as palavras...Mas tempo perdido não se resgata, e palavras ditas ao vento se perdem no infinito de uma reticência.
O mais estranho é olhar pra quem está ali cara a cara com a poeira, doente por enxergar a pessoa amada, e aflito por não ver nem sombra do caminho. E a gente que um dia, depois de muito falar pro vento, resolveu seguir andando - aos tropeços - até para e olha pra trás, mesmo sabendo que voltar é caminho impossível - a gente não quer mais -, só pra ter certeza do que acontece, um pouco porque aquilo faz bem - ego maldito -, mas também porque nos aflige, e nos faz penar o relógio tão atrasado, daquele que um dia tomou nosso tempo! E depois que se observa um pouco, logo a gente já volta pros novos tempos, com certeza de fazer o possível pra não deixar passar a hora.
É nessa hora, que gestos malucos não nos parecem tão malucos assim, quando são entendidos como uma estratégia de manter o tempo no tempo certo do "nós" que se aproxima...e assim, não só louvamos a atitude alheia, como entramos no jogo, e seguimos tentando suspender o tempo até o tempo em que teremos o poder de escolher disperdiçá-lo ou não!!!


**nem queiram entender...

Tuesday, October 07, 2008

aiai...

tem gente que salva a gente, sem nem saber...
quando a gente acha que o coração virou aposentado em fila de inss, lá vem uma brisa leve, que afasta a poeira, e livra a alma da prisão.

só o fato de esperar um dia. só o fato de saber que se tem a capacidade de encantamento, e que existem outras pessoas parecidas ocm a gente, e capazes de nos fazer sorrir...
só de ficar meio boba, por coisas simples, e platônicas até...
se um dia deixar de ser platônico, melhor ainda, mas se não, já foi real no tamanho do frescor que causou.

cheiro de coisa nova. de gente nova, mesmo que esteja longe demais para se sentir o cheiro. cheiro de vontade. de vontade de olhar. e conhecer mais de perto. só essa vontade, que parecia perdida no passado, só ela já vale. e acordar pensando em outras piadinhas, e ir dormir com sensações novas provocadas...


[:P]


a vida, os caminhos, os ventos, os encontros, os desencontros...
tudo parece novo, mesmo o que é o mesmo - sem ser...

que os caminhos se encontrem!!!

Monday, October 06, 2008

depoimento de atriz

Atuo no “a” desde seu surgimento em 2005. O convite surgiu já no último semestre da faculdade, em meio a TCC e relatórios de estágio final. No meio dessa loucura, o que a princípio era só mais um trabalho de encenação de colegas, se tornou o trabalho mais duradouro e questionador da minha carreira.

O início, se eu tivesse que nomear, ganharia a alcunha de CAOS. Porque de fato foi um caos. A empolgação com a idéia e com o trabalho durou uns quatro ou cinco ensaios, depois passei a dividir minhas crises magistrais com a Amélia, a outra atriz que dividia o caos junto comigo. [aliás, ainda bem que tinha com quem dividir o caos – rsrsrsrsrsrsrs]. O contraponto desse caos, e o alicerce para nós foi a Luciana, que do triângulo das atrizes, era o vértice mais seguro e crente no trabalho.

Não sei explicar ao certo o que causou tanta consternação, mas lembro que o trabalho andava por uma estrada muito tênue, beirando o brega – pra mim né. E a sensação é de que tudo estava over, pesando demais pro lado do feminismo e da sensualidade, e essa mistura me causava um medo terrível. Fora essas crises de conteúdo, tinham as histerias de atriz, e o pânico do monólogo, mesmo que não fosse solar no palco a peça inteira. Não bastasse isso, tinha o tal trabalho com o interlocutor imaginário, o homem da história existia na nossa cabeça e tinha que aparecer nas ações, na ocupação espacial, nas intenções, e pra mim ainda sobrava uma cena de violência sexual pra fechar o monólogo – e o violentador era imaginário, viva o CAOS!!!!

Se bem me lembro, eu implicava com tudo, até o cenário eu cheguei a pensar que pareciam umas cangas penduradas. Na época o espetáculo tinha um formato bem diferente, e ao invés das partituras das bonecas que fazemos hoje, iniciávamos a peça com uma espécie de dança/ação corporal, desenfreada por um som da Björk, que parecia uma respiração forte. Nossa, aquilo na época me lembrava a abertura da novela Belíssima que passava na Globo!!!!

Caminhei nessa agonia por todos os ensaios restantes até a estréia, e acho que se não fosse o compromisso com os amigos/colegas, eu teria pela primeira vez desistido de um trabalho.

Dia da estréia, e o pavor na boca do estômago – pavor maior do que o habitual, diga-se de passagem. A Lu sempre com muito otimismo nos entusiasmando, e certa de que seria uma boa estréia, mas acho que nem se o mais renomado figurão do teatro me dissesse isso eu acreditaria. Feito, tocada a música, entramos em cena, e dali até o fim da peça foi uma secessão de surpresas, que culminaram nos aplausos calorosos de uma platéia que parecia encantada. E eu sem entender nada, aliás, nem eu nem a Amélia.

Mas o fato é que parecia que a fórmula toda tinha dado certo, e que os elementos misturados tinham virado um espetáculo a ser cuidado e preservado com muita dedicação. Foi só aí então que eu percebi que o caos vinha na mesma proporção das coisas novas que o “a” estava trazendo para a minha caminhada. Só então eu percebi que a aparente desconfiança, havia cedido lugar ao encantamento, e eu estava completamente apaixonada pro esta peça.

Continuar um trabalho sempre foi tarefa árdua pra gente. Difícil criar um trabalho? Sim, mas mais difícil mantê-lo, renová-lo, permanecê-lo, mas sempre embebido de frescor e desafios. Mas não é que até nisso o “a” foi tranqüilo?! Acho que a fase do CAOS tinha definitivamente passado, e o trabalho se fortaleceu tanto em meio a esse início difícil, que mesmo mediante a possibilidades de mudanças no elenco – inclusive a minha, que estava de partida para outra cidade em breve – e as diversas crises e reflexões que isso gerou, o espetáculo fincou o pé no palco e se firmou de vez.

As mudanças vieram, cenas foram criadas, retrabalhadas, os monólogos foram se solidificando, e o trabalho reestreou, ainda fazendo parte da disciplina de encenação, só que desta vez a II. Mais uma vez a certeza de que estávamos num bom caminho, e acho que pela primeira vez participei de um espetáculo que trazia a questão da arte alternativa, do conteúdo estético sem deixar de ser popular, e falar a língua de muitos, independente os níveis intelectuais, sociais e culturais.

Agora sim, saíamos da universidade. Segundo semestre de 2006 e o medo de não conseguir seguir adiante, sem o respaldo – que mesmo ínfimo é fundamental numa cidade como Florianópolis – da Universidade. Problemas de verbas, falta de espaço e falta de horários comuns para ensaios foram se colocando como obstáculos em nossos caminhos. Ao mesmo tempo a resposta dos espectadores e a repercussão do trabalho tanto nos outros quanto em nós mesmos, fazia com que os obstáculos fossem sendo ultrapassados.

Daí segue uma história longa de eternos desafios,que quem trabalha com teatro sabe bem, ainda mais longe dos grandes centros culturais do país. E essa história longa é o tempero do amadurecimento do espetáculo e de cada artista envolvido nele. Particularmente tenho a dizer que fazer este trabalho me motiva a todo o instante novas atitudes, na cena e na vida. No caso das atrizes, acho que o desafio é duplo, porque além de atrizes somos mulheres, e estamos inseridas nos universos artísticos e femininos, dialogando com eles o tempo todo. A triz que eu era em 2005 certamente foi modificada pelo trabalho, a mulher que eu era idem, ao mesmo tempo em que a mulher e aatriz que venho me tornando a cada dia, vem transformando a mulher do palco, a personagem que pena o medo de engravidar e acaba sendo violentada pelo próprio parceiro, e enfim engravida...se lá em 2005 a mulher era mais frágil e vítima, talvez agora em 2008 ela esteja mais segura e ativa na sua parcela de culpa pela falha no relacionamento, e isso tudo faz do “a” uma fonte insaciável de inspiração e motivação.


*texto escrito há um tempo atrás, e postado agora, não sei porquê...

Sunday, October 05, 2008

ao meu amigo

meu amigo como você está?
espero que bem, sorrindo e chorando como sempre. com aquela poesia inabalável, que sempre me confunde, por ser meio tristeza meio alegria, meio cinza e meio cor...
espero que de pés no chão, mas de cabeça nas nuvens, planos mirabolantes e alguma ações.
que o coração esteja fértil, porque caso contrário mando te internar.

e os pés? melhoraram?

o cabelo continua na cabeça ou diz adeus cada vez mais?


a arte? tem preenchido? por onde anda nosso caminho????

tem sentido saudades de quê? e café tem tomado?

com amor...

Monday, September 22, 2008

uma história nenhuma

Então, sinceramente, a moça, agora com mais rugas que antes, andava pela estrada de pó, poeira, vento. A mala vinha sendo arrastada, mas nos últimos metros ela se perguntava para que as roupas e pertences no meio do deserto e do silêncio da alma e do lugar?! Arrastava a mala, como quando a gente arrasta coisas sem saber porque, ou pelo apego, porque o braço já tinha se acostumado com o peso, com a dor, com o cansaço...

[tão difícil largar pelo caminho, coisas que antes nos eram tão necessárias e importantes...pessoas...]

Olhava a árvore que mexia as folhas submissas ao vento, e pensava, quantas vezes havia se negado a se submeter às suas próprias vontades? E se deixado ir, mesmo que não parecesse certo, ou bom. O sol rachava a pele, preteando, suando, causando sensação de cola. Os lábios presos um ao outro, colados pela sede e pela ausência de palavras. Conversava consigo, mas já não usava a boca há muito tempo, e por vezes até se esquecia de ter tido uma...

[o silêncio fala mais às vezes, quando não cala, ou interrompe...]

Estava pouco preocupada em correr, já que não esperava mais nada, e ao contrário do que pensou um dia, esse tipo de esvaziamento aliviava, permitia leveza, e soprava ao pé do ouvido um instinto de liberdade, que quase tirava os pés do chão. Então andava, com passos firmes, diferente dos que se arrastavam, como ela um dia chegou a fazer. Andava sem nenhuma expectativa do outro lado da rua, nem mesmo do horizonte logo alí.

[continua como a vida...

Wednesday, September 17, 2008

janta

Janta

Marcelo Camelo

Composição: Marcelo Camelo

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

Cause i can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my Day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I’ll let you stay with me if you surrender)

Tuesday, September 16, 2008

futu.......ro

Ultimamente tenho pirado nas voltas que a vida dá, e como a gente vai virando outra gente no mei dessas voltas. Uma vez me disseram: você precisa seguir o caminho acompanhando as curvas, querer passar reto por elas é mais sofrido. E como a gente espera que a estrada seja sempre reta? E que a gente sempre veja o que vem logo a frente? E como querer uma vida sem espinho algum?
Tolice tão grande perder tempo - precioso - com pensamentos e anseios desse tipo. Se é justo nas curvas que a gente precisa mostrar a força que tem, se é justo o espinho que ensina a gritar de dor.
Ultimamente não tenho conseguido me imaginar daqui uns cinco anos, mas algumas coisas eu já tomei por fatos eternos na minha vida. Sim eu ainda me chamarei Marina, ainda terei uma amiga irmã com nome de animal, ainda amarei minha mãe, ainda lembrarei dos meus amores - mesmo os que eu quero esquecer -, ainda conversarei sobre tudo e nada com a Amelinha, ainda terei anseios e crises bestas ou não, ainda amarei estar em cena - mesmo sem saber pra onde isso me leva - ainda terei a minha essência.
E eu fico aqui pirando em saber qual será o próximo passo, mas eu só posso saber qual o próximo passo que depende de mim, mas fora o meu passo, tem a reação do outro, tem o o toque de sorte, e porque não, uma pitadinha do vento do destino, e com tantas variáveis, como posso querer saber? Porque às vezes até a mais previsível dessas variantes - o meu próprio passo - pode não sair como o esperado - dá pra pisar em falso, ou então de última hora ser levada por uma força maior e pisar no sentido oposto ao que se esperava.
O futuro? Não sei, e nem to querendo saber, tenho lá meus desejos, e eles bastam como luz no túnel escuro do amanhã (breeeega).

Thursday, September 11, 2008

leva

Cada escolha implica em uma renúncia. Cada espera implica em uma paciência. Cada realização implica em uma ou mais escolhas, em uma ou mais esperas. Mas no mundo barulhento de hoje, onde informação e tempo atolado viram sinônimos de boa vida - quando na verdade deveriam virar lixos - o que a gente faz enquanto espera?
Vamos refletindo, respirando, pedalando, olhando pro céu, percebendo aquilo tudo que em breve a gente não vai ter tempo pra perceber. É como se nos houvessem dado um tempo de presente pra abastecer a alma de tudo aquilo que realmente importa na vida, e a gente nem sempre sabe aproveitar!!!!


No mais, a vida segue, e a gente é quem deve remar, proveitando as marolinhas...

Sunday, September 07, 2008

a menina

A menina parou diante do quadro admirada. As cores fortes e vibrantes pareciam ferir os olhos. Ela havia se preparado para assistir a uma exposição de belas formas, contornos e misturas, e parou atônita diante daquela agressão multicolor.
Saiu dali passo a passo nas calçadas cinzas da cidade. Passava a ver tudo de maneira tão estranha. A alma dela pedia que voltasse os passos para a galeria, e furtasse mais tempo do seu tempo, olhando aquelas formas que se estendiam como socos no estômago. Mas a menina por medo seguiu andando, adiante, sempre adiante. Chegando em casa não achou graça. Resolveu sair. Olhando a rua só achou choro. Resolveu parar. Parada no tempo ela percebera...

Wednesday, September 03, 2008

elo

O que mais me faz gostar de "Sexy and the city", nem é esse trelelê de relacionamentos, não é o caso do mister Big nem nada disso, porque aí não passa de qualquer historinha de princesa onde todas acabam com seus princes felizes para sempre. Eu gosto mesmo é da amizade entre elas, das brigas, da liberdade de dizer o que pensam, das hitórias, algumas hilárias, outras tocantes, das lágrimas coletivas, dos apertos, dos encontros...
Me lembra tanto os meus amores - que no momento estão longe.

E como diria o Big: "Vocês a conhecem melhor do que ninguém, são os amores da vida dela. Um cara se sente muito feliz de chegar em quarto lugar".

E não é? Nossos amigos são nossos amores eternos. As pessoas que realmente, não importa a distância, estarão junto da gente.


Às vezes, num simples email, é como se estivessemos na mesma sala de estar!!!!

ritual

Ando revendo meus conceitos aqui nessa cidade maravilhosamente cheia de novidades. Sempre achei essa coisa de ritual um pé no saco. Ritual pra quem casa, ritual pra quem morre, ritual pra "enterrar" alguém, ritual do fim do namoro, ritual do blá blá blá...
Mas hoje eu vivenciei o ritual de uma morte antiga, que ainda não havia sido oficializada. E vou dizer que essa coisa de oficializar funciona mesmo, parece que reafirma, sublinha, pinta de roxo o fim de algo que já não é mais.

"Quando cansei de amar e esperar por você"






"Uma, qualquer uma que pelo menos dure enquanto é carnaval"...


"Eu sambo mesmo, eu sambo sim"




Meu ritual foi regado à música, cor, gente bonita. Regado a palavras e tons que antes me despertavam confusões, sentimentos estranho, palpitações no bendito coração, e hoje só tiveram o significado do momento presente - ali e agora. É claro que me lembraram rostos queridos, momentos queridos, histórias queridas, mas foi o ritual simbólico que faltou, no dia que eu enterrei o resto de amor mal cultivado que havia em mim.


Feita a oficialização, já podemos preparar o novo ritual que vai oficializar a porta nova que anda se abrindo, o riso novo que anda rasgando a boca, o embalo novo que anda fazendo o sono ser mais leve: "Vem meu novo amorrrrr vou deixar a porta aberta"...


Canta Roberta, canta...que eu sigo, com possíveis futuras borboletas na boca...do estômago!!

Amém.

Sunday, August 31, 2008

um post mal educado

A única coisa que eu tenho na mala é a minha inspiração, os meus sonhos e o que dizem ser o meu "talento", coisas que definitivamente, não viram moeda de troca nesse mundo hostil. E ultimamente tenho pensado no que fazer comigo e com a mala. Jogo ao mar e saio partida para outra dimensão? Corro pela estrada afora carregando a mala que às vezes pesa muito? Abro a mala e acredito na possibilidade de que algum desses conteúdos faça sentido? Esqueço a mala embaixo da árvore?
Cansei, definitivamente cansei de elogios!!! Peguem todos eles e enfiem no *@#$#@#$&**(*^^%$...

Monday, August 25, 2008

final do volei

http://videolog.uol.com.br/video.php?id=361194
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=361221
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=361245
http://videolog.uol.com.br/video.php?id=361285

Sunday, August 24, 2008

BEIJING 2008

Como uma boa viciada em vôlei - vôlei feminino particularmente - sou obrigada a dizer que estou em êxtase!!! Campeãs no Grand Prix e nas Olimpíadas 2008, coisa linda, que orgulho!!! Muito ví as "meninas do Brasil" perdendo jogos que estavam praticamento ganhos - se bem que isso no esporte não existe -, muito ví as medalhas quase certas escaparem das mãos, e elas choravam, eu me irritava, xingava horrores, como se a TV deixasse a minha voz vasar. No Pan do ano passado eu fiquei tão indignada que até prometi pra mim mesma que não as acompanhava mais...
Jura né?! Sábado, pós aniversário, de ressaca e lá estou eu acompanhando as tais moças, que desta vez me pareciam diferentes, com a mesma boa técnica, o mesmo grande potencial, mas mais aperfeiçoadas, e acima de tudo centradas e unidas. Sem dúvida nenhuma o melhor grupo que o Brasil já teve.
Sim, eu sou meio brega mesmo. Eu choro ouvindo o hino, chorei junto com elas por essa vitória histórica, pro vôlei, pras mulheres e pro Brasil. Depois de acompanhar tantas derrotas justificadas por um destempero emocional que era evidente, depois de muito me irritar, lavei a alma vendo-as mostrar ao mundo inteiro que o melhor vôlei vem daqui mesmo, do país do terceiro mundo.
Muito injustiçadas às vezes, porque a imprensa nunca deu muita "bola", só existia a seleção masculina, mesmo agora, a prata deles é mais comentada que o OURO delas, tsc tsc. É verdade que a falta de capacidade de aguentar as pressões era um defeito grave, mas que com o tepo foi solucionado, o que nunca achei certo foi duvidarem da capacidade técnica das jogadoras, porque o resto do mundo inteiro reconhecia o quanto o nosso vôlei era superior técnica e táticamente, só a gente que não via. Eu me irritava justamente porque via como elas jogavam de maneira superior e na hora H deixavam escapar por besteiras. Besteiras que custaram caro, pra umas mais que pra outras...mas hoje...
Bem brega esse post, mas fazer o que, eu sou ligada em esporte desde nova, e só não me tornei uma jogadora ou atleta, porque o teatro veio com tudo e me levou, mas de alguma forma o esporte faz parte da minha vida, como jogadora de fim de semana, como espectadora, como fã mesmo. Todo mundo acha bizarro, porque nesse mundinho pseudo cult dos atores, o bacana é beber, fumar, ler muito e ir pra badalação, eu faço isso tudo, menos fumar claro, e mesmo assim gosto de correr, pedalar, jogar vôlei e futebol (aham), e não consigo viver alheia aos momentos que o esporte proporciona. Adooooro olimpíadas, acompanho ao máximo e queria que fosse todo ano!!!!
Aliás falando em Olimpíadas, já está na hora do Brasil acordar para suas mulheres, que bravamente protagonizaram estes jogos de 2008, e tiraram o foco dos barbados de plantão, que não vêm demonstrando a mesma garra!!!!!

OURO BRASILLLLL!!!!

VIVA AS MENINAS E VIVA MAURREN!!!!

Friday, August 15, 2008

o tempo

Esses momentos que antecedem a passagem de um ciclo fazem pensar...

O tempo passa rápido, e ao mesmo tempo não. A gente é que às vezes tá tão a frente, que não vive, que deixa passar. Quando viu já foi. A foto de um ano atrás parece antiga. O amor de um ano atrás parace estranho. A ruga de um ano atrás se multiplicou.
A saudade que a gente sentia a um minuto, já virou outra coisa. Saudade no começo dói, dói na garganta, no estômago e no coração. Depois ela vira uma espécia de necessidade, de ver e falar com as pessoas, ou estar nos lugares, muito urgente. Mas chega a fase em que a saudade começa a ficar distante, e a gente vai se acostumando. Bem pior. E a gente sente saudade da saudade que sentiu um dia. Agora o que vai ficando é vontade, vontade de estar com tal pessoa, em tal lugar, fazendo tal coisa. Uma vontade tão forte que se a gente pudesse, se teletransportava. E mesmo assim, já não é mais saudade. Porque agora você já pertence a outro lugar mesmo. Começa a pertencer a outras pessoas também. Agora quando você estiver no lugar da saudade de outrora, sentirá saudades do lugar de agora. [rimou]
Vida muito louca. Muito louca.

E o que mais me causa estranheza, é mesmo a estranheza que resta entre pessoas que um dia foram........


Quando a paixão acaba, resta alguma coisa?








Vamos lá que o barco segue e o horizonte é demasiadamente lindo!!!!!

Thursday, August 14, 2008

"intuitismo"

A tal da intuição. Eu sempre acho que já estou totalmente "treinada", ou habituada a segui-la, mas a vida vem e lembra que sempre tem algum setor da própria vida que não está sendo invadido por ela, ou algum canto do cérebro que não está sendo regido pela tal...
E por pura besteira, ou mania de crítica, ou medo, ou mudança repentina na vida inteira, ou mecanização...mas tudo bem, de fato quando se muda muita coisa na vida, as coisas viram de pernas pro ar mesmo!!!
Acho que eu deveria era ter colocado a intuição de pé primeiro nessa arrumação de "casa". Mas eu priorizei outras coisas. A ansiedade eu priorizei muito, digamos!!!! E é um alívio ter deixado, finalmente, a intuição ocupar seu devido espaço. E junto vem a leveza, a clareza, os canais abertos. A gente abre os olhos e percebe as almas afins, as energias que dialogam, os possíveis novos parceiros de arte, os caminhos novos, as mil e duas possibilidades.
A gente volta a estar em cena de verdade e pensar com o corpo todo.

Demorei?!

Mas pensando bem não né...porque a intuição vem sempre na hora certa...ou pelo menos na hora que a gente intui!!!

Tuesday, July 29, 2008

irmãs...


Achei essa foto perdida lá no meu fotolog falecido...caraca, o tempo passa "muleque" - me atualizando nas gírias "cariocaix".
A gente (aprendi a separar por conta de uma delas) muda demais.Fisicamente - certo que sim - e espiritualmente, ou mentalmente, ou seja lá como quiser chamar. Aliás isso me fez lembrar uma conversa com a outra, sobre as varias fatias da gente, espiritual, mental e por aí vai...
Quanta, mas quanta conversa já foi despejada por lugares aí a fora. Quantas padarias eu já fechei com elas, quantos bares ( nem só de café vive uma amizade)... Quanta lágrima derramada em locais públicos, ou em casa mesmo. Quanto medo compartilhado, segredos, bafão, sonhos, desejos... Decepções inúmeras, bah!!!!
A gente mudou muito, cada uma, e o conjunto também né?! Porque a relação vai mudando com a gente. O melhor é poder olhar pra trás e ver que tudo e todas mudaram pra melhor, muito melhor. E eu fico tão feliz de ver que hoje os medos são outros, que a magreza chegou, que o nariz foi embora (hahahahahaha), os narizes hahahahaha, se mijei...fico feliz de ver que alguns amores chegaram - aham, eu sou devagar no quesito hehe - fico feliz de ver que as asas bateram e a gente vôou. Cada uma a seu modo, no seu tempo...
Por elas eu me alegro como se fosse por mim. Com elas eu me divirto. Por elas eu sofro também. O tempo passou e trouxe tanta leveza, tanta cumplicidade, tanta liberdade, tanto amor.... - estou beirando a breguice!!!
Duas pessoas que a vida me trouxe de maneiras completamente diferentes, mas tendo algo em comum. Amoooo as duas. Amo a amizade. Amo poder contar mesmo de longe. Amo ajudá-las. Amo até sentir saudade. Amo vê-las bem, e torço sempre.
Às vezes as pessoas forçam tanto pra terem as coisas e perdem o melhor delas, a espontaneidade. Tudo que acontece porque tem que acontecer é mais bacana...mas não era nada disso que eu queria dizer.
Talvez eu quisesse dizer que o tempo passa e as coisas mudam, mas certas coisas mudam e vão ficando eternamente com a gente, o que não resiste às mudanças, era certamente efeito de uma fase. Existem coisas maravilhosas que duram certos períodos, e existe aquilo que sobrevive a tudo...ao tempo...à distância...às chatices.......às tormentas!!!!
É assim que a gente ganha história pra contar e espelho. Olhares que refletem a gente, e fazem as palavras dispensáveis. É ótimo ter termômetro pra chatice, e ser termômetro da chatice alheia, é ótimo ter de quem ouvir a verdade e poder dizer a verdade, sem medo, sem mágoas...

Mas que coisa...

Na verdade, isso tudo se resume a: não importa o tempo que passe, eu amo essas duas irmãs, cada uma com um laço de irmandade diferente, mas na mesma intensidade!!!!

O maravilha!!!!

Sunday, July 20, 2008

saudade

Tem coisa mais angustiante que distância e saudade?????

Desculpem, ando repetitiva nesse assunto, mas ele está em mim todinha, e não tem como fugir.

Saudade de pessoas e momentos. Saudade do ombro amigo, da mão daquela pessoa que faz seu coração ficar em paz. Saudades dos olhos daquele que parecia ser o amor da sua vida - vai, ainda parece. Saudade da amiga irmã de alma, a qual a gente conversa infinitamente sobre qualquer coisa. Saudade da amiga irmã (irmã de tudo), que entende só de olhar, que abraça, que xinga, que sacode e acolhe. Saudade do amigo palhaço, poeta, birrento, tpm, querido...o primeiro grande amigo que eu tive. Saudade do amigo que briga, que magoa, que desbriga, e briga de novo, mas no fim sempre faz a gente se sentir em casa de alguma forma. Saudade da amiga de alma velha - rsrsrsrs - e das conversas hilárias. Saudades da amiga mais certinha, das nóias, das loucuras, e das histórias. Saudade do meu abraço favorito, de segurar a mão, de comer fandangos e dar uma descançada nos olhinhos. Saudade da aprceira artística e de vida, que me irrita, que é hippie, mas que eu amo. Saudade da amiga atriz parceira de cena e de história, saudade de estar ao lado dela, e me sentir muito bem. Saudade do amigo que acompanha no show, no chimas, na madruga...
Saudade do menino chato e grosso, que divide a vida comigo desde que nasceu. Saudade dos meninos bacanas que passaram pelo meu caminho, e ensinaram...saudade das amigas bebuns, das amigas loucas, das amigas de fases, das amigas raça. Saudade da amiga companheira para todas as horas, e desde que eu nascí...


Saudade....mas apesar dela, a gente segue forte, e feliz por tê-la - de certa forma!!!!

Saturday, July 19, 2008

indo

...e a moça então andava, e o caminho se fazia...




sabia lá onde ia dar?




é claro que não, e só por isso era um caminho...

Saturday, July 12, 2008

literalmente

Por via das dúvidas (que geralmente são muitas), diga o que você sente para as pessoas. Vergonha? Dá e passa. Medo? De quê? Sentimentos não aprisionam nada nem ninguém, cada um aprisiona a si mesmo, por motivos vários, inclusive o prórprio medo!!! Se você ama alguém (namorado, marido, parente, amigo, cachorro, galinha...) DIGA!!! Mesmo aquela pessoa que você acha que já está careca de tanto saber...podes crer que ela deve estar pensando: poxa o fulano só me diz que ama quando está meio torto (hehehehe) - sempre tem mais cabelo pra se perder!!!
Sou absolutamente a favor da teoria que as ações dizem mais que as palavras, mas num mundo dúbio como o nosso, onde tudo tem margem pra múltiplas interpretações, e a relatividade parece ter virado moda, nada melhor que falar olho no olho, abraço no abraço, aperto de mão bem firme: Eu te amo, e você é importante pra mim. Reafirma tanta coisa, renova tanta confiança, tanto carinho, tanta vontade de permanecer no mesmo caminho.
A gente precisa demonstrar mais, ser mais, se lançar mais. A gente precisa amar mais, e jogar menos. A gente precisa estar mais de verdade. Às vezes tudo parece claro, mas a gente nunca sabe quando vai deixar de parecer, e é nessas horas que lembrar do que o outro disse, sustenta muito, sustenta tudo, sustenta a gente!!!

Tuesday, July 08, 2008

historinha

Nas calçadas da vida da moça, aqueles passos eram novidade. Passos largos, firmes, barulhentos, que faziam questão de anunciar a chegada. Causava inquietação nos habitantes locais, que em polvorosa, escondiam o rosto deixando um espaço para a espiadinha.

"Perfumoso" - diziam uns.
"Lá vem mais um daqueles"- sussurravam outros.
"E ela, ainda não acordou?" - sepergutantavam muitos.

E o homenzarrão com olhar de menino, caminhava certo do rumo. Buscava distante o ar, e enchia os pulmões como quem não tem medo da vida. O burburinho de gente não lhe assustava, os tambores não lhe faziam parar, ele seguia firme, em direção à...
Ela ainda não havia acordado mesmo. Dormia calmamente, como há muito tempo não conseguia, tinha tido muito trabalho limpando o cantinho da sala, aquele mesmo que ela deixava reservado para visitas especiais. Limpou tanto e tanto, suou muito até retirar o último resquício de poeira acumulada lá. Brilhava novamente. E ela dormiu ali, estonteada de tanta beleza, reparando no que há muito tempo tinha esquecido de ver, por conta do pó.
Num suspiro ela encheu a alma. Adormeceu. Era tanta alegria, paz e beleza. Cheiro de perfume. Flor. Ela queria que o cantinho ficasse um bom tempo assim, vazio de poeira e de enfeites. Vazio mas cheio ao mesmo tempo. Cheio de calmaria, cheio de trasnparência, cheio de vida...
Bateu na porta o moço homem menino. Três batida firmes e precisas.

Suspiro de moça recém acordada.

Enfeites na sala.
Venham ver o novo espetáculo, quem sabe esse não tenha um final feliz....dure eternamente...

Sunday, July 06, 2008

caminho

Ser atriz é sempre muito dúbio. O trabalho coletivo mais solitário do mundo. Por mais que se faça junto, o caminho de cada um é só mesmo, sempre numa viagem do interior para o exterior e vice e versa. Mergulhos e mergulhos em si mesmo, leituras, cursos, observações, ensaios, surtos, crises - sim elas fazem parte -, parcerias, reflexões, estudos...
Estrada sem fim, sempre em transofrmação, de chão feito com areia movediça...
A gente afunda muito às vezes, e não tem escapatória. Pelo menos não para os que fogem da superficialidade - muito comum nesse mundinho mundano!!! E o que é que move? - move pra não afundar na movediça (trocadilhos). Mais solitário ainda, porque não se encontra isso em nenhum livro, em nenhum mestre, em nenhum mantra, em nenhuma receita...só dentro da gente, mas bem dentro mesmo. Piegas? Mas fazer o quê se é a verdade!!!

entre aspas II

Vinte e nove


Todo mundo é um pouco torto, me falou um amigo quando viu que eu estava certa: meu umbigo deveria ser mesmo mais para a direita.
O que me incomoda agora, que eu vou fazer trinta anos, não é exatamente o fato de eu ser um pouco torta como todo mundo, mas o fato de eu ter descoberto que era tudo mentira. Era mentira que a vida se resolve aos trinta. Com vinte anos a gente acha que tudo vai se resolver aos trinta: nosso corpo, nossa auto-estima, nossa conta bancaria, nosso peito vazio, nossa vida amorosa.
Mas eu continuo torta e se bobear a coisa só piorou. Pior: minha ficha caiu e tenho certeza que não estarei menos torta aos quarenta. Não existe a grande e absoluta transformação. E aos trinta, em plena grande e absoluta transformação, você descobre isso.
Todo mundo é um pouco torto, penso enquanto tomo banho e decido não ir nem a pau até a Lapa. Ando mais do que meio torta, cheia de dor nos ombros e prefiro mais é curtir a novela esticada no meu sofá.
O que eu vou fazer lá? Me certificar pela milésima vez que odeio multidão e odeio esse clima de paquera “olá rapazes, vim até aqui para vocês compararem a minha bunda com aquela idiota marombada de dezenove e me dar nota quatro”. Tô fora. Não li esse monte de livros e não repensei zilhões de vezes a minha existência para ser reduzida a isso. Ser comparada à mulher melancia.
Aí uma voz chata pra cacete grita dentro de mim: você vai sim, sua velhota encalhada. Que ficar esparramada no sofá que nada. Novela? Enquanto o mundo faz sexo você vai assistir novela? Vou. Vou sim. Porque to me lixando pro mundo que faz sexo. 90% desse mundo têm ejaculação precoce e os outros 10% não vão te ligar no dia seguinte. Vou ver novela. Tá decidido. Uma preguiça em arrumar homem. Novela pelo menos avisa “é a última semana!”. Homem some no auge da primeira.
Aí eu saio do banho, super decidida a não ir à Lapa e...é, eu sofro em colocar um pijama em plenas oito horas da noite. Cedo, né? Como é que eu vou casar desse jeito? Não vou. Esse papo de que homem bom você conhece de dia. Sei não. Quem é que vai me abordar no supermercado e dizer “Chuchu? Que legal! Eu também adoro eles!”. Não rola. E no trabalho? Não rola. Na época que eu era publicitária passei o rodo mas agora, escritora, quem é que eu vou pegar se trabalho sozinha em casa? E tem outra também: passar o rodo combina com vinte anos. Com trinta você começa a chorar quando vê mulher grávida. Chorar em casamento. E, principalmente, chorar porque ainda não casou e nem está grávida.
Ok. Então eu vou. Vai que. Vai que hoje conheço alguém legal. Tudo bem que nos últimos quinze anos de balada (comecei com catorze) nunca conheci. E olha que na adolescência qualquer coisa não gorda e cheirosa tava valendo. Mas vai que. Não?
Não! Não, Tati. Pensa bem. Olha sua caminha lá. Te esperando. Seus livros. O creminho de fazer massagem nos pés. Pra que voltar fedendo cigarro? Pra que ver gente que se odeia fazendo uma coisa que só as pessoas que se amam muito deveriam fazer juntas: tentar ser feliz. Um bando de gente perdida, saindo pelas ruas feito baratas no calor. Em busca de alguma coisa. Mas que coisa, gente? Marido é que não é. Ou é?
O que mais me dói é lembrar que eu tinha certeza que já estaria fora dessa vida com trinta anos. Com trinta anos? Eu pensava. Já vou estar ao lado do amor da minha vida. Pintando o quarto de salmão, que acalma o bebê. Rica. Bem resolvida. Cozinhando. Sem medo que minha mãe morra. Com a voz firme. E a bunda também.
Com trinta anos eu vou ter um carrão. E uma casa fashion com vista para árvores. E vou ajudar crianças carentes. E vou ter cara, roupas e postura de mulher. Afinal, são trinta anos.
Nada disso. Nada. Eu ainda me pego, vez ou outra, fazendo a combinação bizarramente juvenil de blusinha decotada com jeans apertado. Eu não sei onde é a minha casa. Porque eu tenho um ap alugado em São Paulo, que é onde eu moro, eu tenho um ap alugado no Rio, que é onde eu trabalho e eu tenho um ap que não é alugado, mas é da minha mãe. Eu não sei ligar uma máquina de lavar sem ligar antes para a minha mãe. Eu não sei cozinhar kinua sem antes ligar para a minha mãe. E, pela quantidade de vezes que eu falei na minha mãe só nesse parágrafo, já deu pra perceber que ainda faço terapia de medo que ela morra. O que um ser com idade mental de doze anos vai fazer num mundo sem mãe?
Mas eu não vou à Lapa. Tá decidido. Eu não bebo, eu não fumo, eu não faço sexo com idiotas (decidi isso faz pouco tempo, depois de praticamente ter ganhado carteirinha do clube “eu dou para idiotas”) e eu tenho pavor de peles desconhecidas esbarrando em mim. Pavor. Eu não vou.
Bebida pra mim é vinho, bem acompanhada. Restaurante chique. Ar condicionado. Boa música. Nesse quesito pareço alguém que vai fazer trinta anos. Lapa é para quem tem vinte. Vinho a dois para quem tem trinta. Mas esse é justamente o problema. Entendem? Eu não tenho, nesse momento, ninguém para dividir comigo as maravilhas de se ter trinta. Então, acabo me perguntando: será que eu não deveria ir à Lapa?


Tati Bernardi.