Saturday, December 29, 2007


Que luz é essa que acabaram de acender?
De repente, o quarto ficou visível, e com ele toda sua bagunça...
Calças espalhadas, gavetas escabcaradas, meias jogadas ao léu.
Quem acendeu a luz?!

Durante o sonho...
Você mesmo, bateu sem querer no interruptor...
Você mesmo fez a bagunça...
Mas não precisaarrumar.

Dizem das pessoas organizadas que são bagunçadas na alma. Será?!

Mas ainda assim continuava achando que a luz deveria ter ficado apagada.

Mas no fundo, sabia que não!!!!

Thursday, December 27, 2007

Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro mas você não sabe se é defesa pra recuar ou atacar. E eu gosto de você porque gostar não faz sentido.

[tati bernardi]


alguém reusmiu em palavras o que eu penso!!! vou colar na testa, pros próximos já avistarem antes da aproximação...porque se forem do tipo que pensam muito...nem venham...

Saturday, December 22, 2007

!!!novo ano!!!

tempo....


(...)

ele virou mais uma folha no calendário...

tempo passava rápido....

mas nem tanto...

fazia-se novo o ano...


mas e ele?

o rapaz que andava pelas calçadas...em meio às chuvas de verão....ele era novo? ou era tdo ele? o mesmo de sempre...

não sabia...ele acreditava no movimento de tudo e todos...mas sentia-se parado...observando....e esperando....o quê ele não sabia bem.

mas era novo o ano...
pessoas pelas ruas prometiam-se vitórias, desapegos, mudanças...todas essas que esperavam o novo ano...

ele não...
sim, era um homem de fé....mas os calendários não lhe tocavam...
prefiria um bom livro, uma boa sombra, uma fotografia que guardava da moça....

já estava gasta...mas ele a contemplava com adoração...
estava longe...tão longe....que doía....mas ele quis isso num tempo passado....agora já não tinha certeza...

mas o ano era novo...então........
o rosto da moça continuava gasto no papel....ele pensava em ligar e desejar uma boa passagem...quem sabe ao ouvir sua voz, tivesse coragem de lhe dizer certas coisas.......como o quanto seu coração era puro arrependimento e saudade....e amor, acima de tudo....mas tinha medo que um outro amor atendesse....esse que poderia ser o novo ombro a embalar os sonhos de sua amada...

não tinha certeza, mas tinha mais medo que coragem...que vontade.....mais uma vez beijou a fotografia....ouviu uns fogos que estavam rompendo à beira mar....pencou que ia chorar.....mas era apenas mais um ano....

vinha o novo ano.....

ele à sombra da velha árvore.....
com um livro que era novo.....e uma foto que era velha....um sentimento que de tão intenso era atemporal.......um maldito medo de alçar vôo....e um pensamento constante.....onde andaria ela?!

a moça....será que estava no mar??? será que desejava algo??? será que pensava nele??? será que um dia lhe ligaria outra vez???

ele e o novo ano, com os velhos arrependimentos......e o sempre novo velho amor....


um dia quem sabe ele cria coragem....seja novo ou não - o ano!!!!

Monday, December 17, 2007

O Casamento de Gertrudes.
Marina Monteiro.

Gertrudes queria se casar com seu cachorro. Embora a mãe lhe dissesse que isso não era certo.

_ Mas mãe qual o problema?

_ Ora Gertrudes, onde já se viu, casar com um cachorro.

_ Mas eu o amo.

_Ama como seu cachorro. Porque ele é um cachorro.

_ E porque eu não posso casar com um cachorro?

_Ora menina. Deixe de besteiras. Vocês são de espécies diferentes.

A mãe fora enfática. Gertrudes ficou intrigada. Se a mãe lhe houvesse dito que era por causa da idade. Que ela era muito nova pra casar, ela até entenderia. Mas aquela coisa de espécie ela não entendia, ah, mas não entendia mesmo!!

Thursday, December 06, 2007

no quintal

no quintal da minha casa tem um pé de laranjeira.
que às vezes dá limão.
embora eu ontem tenha colhido goiaba.
no quintal da minha casa corre o cachorro que minha mãe me deu.
o nome dele é esquisito.
o periquito é o abraço forte.
e o peixe do aquário chama-se ilusão.
no telhado da minha casa está a minha bola que nunca fui bsucar.
um barbante envelhecido.
um carrinho vermelho.
e o batom da minha irmã.
o telhado da minha casa eu chamei de esquecimento.
e bem no fundo.
debaixo do chão.
onde mora a família do sapo verde.
tem um caramujo escondido.
fica bem dentro da casinha dele.
está sozinho junto dos sapos.
ele não é verde.
ele se chama o saudade.

perguntando...

O futuro se faz presente quando a gente pensa nele?

Porque será que Deus me deu essa sensação em forma de poesia em movimento?

Porque eu escrevo?

E porque eu choro por muita coisa e não por qualquer?

Porque na vida, às vezes, tomamos decisões que fazem mal a nós mesmos?

Porque hoje eu acordei mais triste que ontem?

E porque eu tenho que colocar tudo no papel?

Porque eu gosto de inventar gentes em cores e movimentos que são meus, mas também não são?

E porque eu acho que a arte pode ajudar a salvar o mundo?

E porque eu acho que eu nunca sou boa o bastante?

Porque eu acho que o que eu escolhi não é pra mim?

E porque às vezes eu acho que é?

Porque essa dorzinha não passa logo?

E porque não adianta colocar bandaide no coração?

Será que mertiolate sara a alma?

E será que falta tempo pra se amar?

E sobra tempo pra se dizer que ama?

E será que o meu futuro só depende de mim?

E porque será que eu vim parar aqui?

E porque eu conheço quem eu conheço?

E porque eu escrevo?

Porque eu acho que a vida é uma poesia e um monte de gente não?

Porque o mesmo perfume, dependendo do dia, nos deixa cheiros diferentes?

Porque partir é tão dolorido?

E dizer adeus?

E porque agente deixa de gostar?

De acreditar?

Porque eu prefiro picolé a sorvete, mas tem vezes que só o sorvete bem colorido me salva?

Porque eu comecei a gostar de cerveja?

Porque o sol não é verde?

E o céu de gelatina?

Porque uns morrem e outros não?

Porque uns fingem e outros não?

Porque uns passam e outros ficam?

Porque o telefone sempre toca bastante quando agente não ta a fim de falar com ninguém?

E porque que ele nunca toca quando tudo que agente quer é um alô?

Porque que as pessoas que agente gosta muito são na maioria das vezes as mais distantes?

Será que agente sempre tem que amar pouquinho?

Será que agente tem sempre que representar?

E porque eu acho que representar em cena é muitas vezes mais verdadeiro do que a própria vida?

E porque eu to aqui perguntando tudo isso?

Será que eu quero respostas?

Ou não?

Será que é só um passatempo?

Ou um tempo passa?

Será?