Monday, October 01, 2007

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...entre e sinta-se à vontade. não bagunce muito, mas deixe algumas coisas fora do lugar. não se assuste, é meio barulhento por lá às vezes. não estranhe, pode parecer super lotado, mas acalme-se, em algum tempo você perceberá que existem passantes, que com cores vivas e vozes melódicas alegram o ambiente. e existem os que vivem por lá. não fique muito nostálgico por perceber que as andanças fizeram muitas recordações, trouxeram retratos na parede e pessoas queridas que já não se vê muito. não preocupe-se, isso foi uma escolha, e faz muito bem. calma, o chão às vezes se abre em abismos no meio da sala, mas acredite, é também uma opção. a parte em que se precisa de coragem para dribá-los é a melhor. adrenalina muita. você talvez se assuste em alguns momentos, onde muita gente vai olhar, onde haverá uma sensação de nervosismo e prazer, onde haverá um jeito de sentir plenitude, uma forma única - mas pra você pode parecer estranho. muitas roupas espalhadas, e não tente decifrar um estilo, vai depender do dia. não estranhe se não houver sorrisos de primeira, é que não é muito comum querer impressionar nem parecer bacana. sim, sim, bizarro né? mas quando o sorriso se abrir em flor, prepare-se, não vai mais parar. e acostume-se porque o tom é de piada o tempo todo. otimismo está presente, não tente entender de onde vem. não assuste-se com o silêncio, ele faz bem e faz parte. muitas reticências. tem um cantinho alí que você vai encontrar algumas coisas guardadas, não retire-as do lugar, tudo tem seu tempo. existem algumas coisas que você não vai entender. algumas contradições. não tente encontrar rótulos, pode ser o caminho da porta. o sofá é verde. no chão às vezes tem muito papel. o postal daquele lugar bonito irá lhe encher os olhos, e você terá vontade de ir junto, mas talvez não esteja por lá na hora da partida. tem uma salinha especial logo a esquerda. a porta está aberta. quem está ali dentro entra e sai a vontade, mas sempre deixa algo, você vai tentar entender o que é. você vai querer ficar nesta salinha. vai trancar a porta. mas acredite, só ficará quando entender que tem que sair. aliás, tirando as coisinhas guardadas naquele cantinho - que você não deve abrir - o resto é aberto, arejado e devidamente limpo. alguma bagunça é normal como já lhe foi dito. existe uma ausência que não faz tantos estragos, mas faz eco às vezes. tem uma caixinha muito bonita e brilhante, que toca uma musiquinha em determinadas situações, e faz tudo parecer muito claro. não toque nela. apenas observe. suspire, isso vai ser normal. não se impressione com o papel de parede, ele é bonito - dizem - mas não é o principal, e com o tempo certamente terá algumas avariações. mas não queira trocá-lo completamente, ele terá histórias pra contar. ah, você viu a estante de livros? alguns são intocáveis. talvez algumas palavras lhe derrubem, lhe sacudam. elas andam livremente por lá, e podem ser perigosas, mas voam também. tem uma águinha salgada volta e meia. o lugar é quente. cheiro de hortelã. você terá medo. mas terá coragem. você se sentirá em casa, depois de um tempo. a direita existe uma cadeira toda bordada, ali senta-se um menino bonita e sereno. você se perguntará porque ele fica alí. então um dia você perceberá que ao lado dele existe uma janela com muitos pássaros, um vento fresco, barulho de água e umas palavras doces. você perceberá que ele está ali e está em outros tantos lugares quanto queira. ele vôa, e permanece. você entenderá algo sobre o amor. mas pegue o livro mais velhinho da estante e leia, nas sábias palavras da senhora de língua presa, que viver ultrapassa todo o entendimento. e volte enfim a perambular pelo ambiente...

1 comment:

BLOG do CHICO LINGÜIÇA said...

humpffff... cada quarta com uma janelinha diferente, e eu tão transeunte, eu quero um chão sem abismos, sabe onde eu compro??

beijim