Thursday, November 23, 2006

Felicidade tem que vir depois do sofrimento? [ou felicidade tem que vir no fim da vida]



Gosto da minha vida no atual momento. Gosto do movimento que ela anda tendo. Às vezes as coisas passam por mim como num turbilhão e me sufocam um pouco. Às vezes passam devagar e sempre, e me sufocam de novo - como boa claustrofóbica tudo me sufoca, só muda o motivo.
Gosto de ser uma autista hiperativa, porque é isso que permite com que eu vá do caos absoluto, causado pelo acúmulo de planos, afazeres, deveres, obrigações e idéias, ao ralentado ócio que me consome em alguns dias. E acredite, eu escolhi ser assim.
Um dia a dia que começa as oito da manhã e termina as oita da noite - ou mais cedo e mais tarde, enfim - definitivamente não me compra. Não quero a estabilidade de um emprego público, não quero a vida burguesa - embora queira, sim, um pouco de dinheiro - não quero um compromisso igual, e muito menos quero esperar sempre a mesma coisa do meu dia.
Também não quero que a supresa fique manjada e que nunca saber o que será o amanhã vire rotina sabe? Daí eu acho que to no caminho certo. Começando pela profissão escolhida, que super me oferece tudo isso, e por favor, não me peçam pra querer uma rotina burocrática, só porque a maioria das pessoas faz isso. Faz tempo que eu saquei que não sou parte da massa - não olhe isso como arrogante, por favor - afinal eu sou a autista mais hiperativa que eu conheço.
Faz tempo que eu descobri que meu amor é o teatro, meu amante o cinema, meu marido um trabalhinho na tv e minha amizade eternamente colorida é a escrita. E faz tempo que eu aceito isso. Não. Não pretendo aspirar por um emprego super enquadrado, por pura falta de prazer. Já ouviu falar em prazer?
Deveria ser uma palavra básica pra se viver. E aí não pensem que quem vos fala aqui, é uma super irresponsável, bem pelo contrário, sou séria demais. Mas acho que as coisas têm que ser divertidas, prazerosas e leves, e quem disse o contrário, é a mesma pessoa que inventou o capitalismo, a inquisição, a escravidão, e todas as coisas toscas e reprimidas do mundo. Ecca!!!
Quem diz pra você que viver tem que ser difícil e sofrido, que é uma saga atrás do pão de cada dia e que o mais importante é você parecer bom caráter e não ser feliz demais, é a mesma pessoa que prega que Deus e Cristo só amam os sofredores - oi?
Nunca acreditei nessa balela. Saco.
Por isso eu esteja solteira talvez. Nunca encontrei alguém que bancasse viver um relacionamento leve, livre e solto - o que não implica em infidelidade necessariamente. Mas porque as pessoas confundem tudo? Porque eu não sentir ciúmes quer dizer o mesmo que eu não amar? Porque eu não ligar o tempo todo quer dizer que eu esqueci? Porque eu não posso ligar só quando tenho vontade e alguma coisa pra dizer? Porque eu não posso achar bacana quem eu amo ser livre e feliz? Coisa bem chatinha isso!!!
Sempre quis pessoas parceiras ao meu redor, que me entendessem - e acredite eu faço o possível para colaborar - que me dessem a única coisa que eu exijo: espaço e liberdade - porque sim eu preciso muito disso. Em troca? Eu dou toda a atenção do mundo, amor, carinho e liberdade e espaço, para que estas pessoas sejam elas, sintam-se a vontade para ir e vir, para chorar e sorrir e ser o que forem.
Não quero nada. Só quero que permaneça ao meu redor quem me aceita do jeito que eu sou, e perdão pode parecer meio egoísta, mas tem coisas que eu não cedo de jeito nenhum, meu espírito é do vento, e pretendo fazê-lo permanecer assim.
Às vezes meu único desejo era comprar umas passagens para dentro de mim mesma, e dá-las às pessoas que eu amo. Assim elas finalmente entenderiam, que amor - o meu - nunca estará diretamente proporcional a minha presença física, a minha taxa de ligações diárias, ao meu nível de ciúme e a minha quantidade de sentimento de posse. Entende?
Não!!! O que envolve isso, pra mim, não é amor, e eu não quero. Será que pode ser?
Agradeço sempre ao universo por ter encontrado bons amigos que me amam e compreendem, assim do jeito que eu sou. Agradeço por ter tanta gente bacana com quem compartilhar - e eu demoro pra reconhecer como amigo mesmo, portanto o fato do meu ser antipático ter alguns bons e verdadeiros é bom sinal.
Sim, comecei a aceitar algumas coisas na minha vida. O fato de que no fundo, dane-se o que os outros pensam, na real eu to conseguindo seguir um caminho que eu quero e acho que permanecerei seguindo nele pro resto da vida. Dane-se se eu vou ficar indo de garoto em garoto até achar o parceiro, que sim eu acredito que possa existir. Dane-se minha auto estima podre, porque eu não devo ser tão uó, já que tenho tantos bons amigos e das mais diversas fontes e espécies - não sintam-se cobaias pelo "espécies".hehe...
No momento eu me encontro com borboletinhas na barriga, e talvez não dê em nada, talvez dê, talvez eu mesma as mate em breve, mas só o fato de sentir isso já vale. A Clarice bem diz, que o instante já, já não é mais, porque ele está sempre passando. E que chato uma vida 100% no futuro, ou no passado ou no presente. A vida tem que estar equilibrada entre os três, necessitando de picos exporádicos entre um e outro.
No momento eu estou com super planos de juntar dinheiro e ir pro Rio, porque eu quero muito correr atrás da minha carreira, fazê-la crescer, e se isso vai dar certo amanhã? Não sei, mas pelo menos vou ser uma velha de 93 anos que se orgulhará de ter ido atrás da vida, montado nela e dado uma corridinha. O chato, o frustrante, o inseguro, o instável e o perigoso mesmo, é o coração que não se apressa de vez em quando, é o olho que não brilha, é o estômago que não embrulha, é o bêbado que não dá uma caidinha, o filho que não grita com a mãe, a sonho que não é tentado, a vida que não é vivida, e apenas preenchida burocraticamente quem nem ficha do inss, dia após dia.

Voltei a escrever e estou muito auto-ajuda pro meu gosto. Mas dane-se isso também!!!

[e sim, tem quem não vai entender, mas não precisa, viver ultrapassa todo o entendimento, já diria Clarice, que nem sabia o quão sábia ela era].

1 comment:

Quel -boii said...

[aplausos calorosos]