Monday, October 23, 2006

uma velha história de amor


As relações - humanas - são realmente muito complicadas, e não me refiro só às relações entre namorados, amantes, apaixonados ou coisa do tipo, me refiro a qualquer tipo de relação humana. As mais bonitas são as verdadeiras, que duram o pra sempre momentâneo de uma vida. As que têm a leveza do amor sincero, mas que se servem da dureza que traz consigo qualquer relação. Aquelas que são baseadas no respeito, na confiança, no olhar, na intuição, no abraço, no beijo, na parceria, na sinceridade, seja dura ou não, aquelas que têm como fundamento básico o amor: e não pensem que vocês sabem o que isso realmente significa - eu também não penso que sei.
Amor é palavra muito em voga, mas creio que nem sempre tão bem praticada. Amor hoje em dia vem vindo muito ao lado do ciúme, do egoísmo, da competição, da inveja, do interesse, mas aí já não é amor. Porque esse, liberta, salva, gargalha, estende a mão, pede perdão, perdoa, surge na hora mais precisa, some quando se precisa de tempo, faz tocar o telefone quando sente que é necessário. Amor chega sem se perceber, vem de mansinho, aos poucos, alguns a conta gotas, outros num turbilhão que quando se vê já não se vive mais separado. Há certos tipos de amor mesmo, que surgem da discórdia, vêm do não gostar, da implicância, ou por conta dos que já temos. Amor vem, chega e se instala, e acima de tudo faz bem, muito bem.
Não creio que exista amor, sem um minímo de discordância, de diferenças, de tristeza, de discução, até mesmo de bronca ou briga. Aliás acho que sem isso, nem dá pra sacar se é amor mesmo ou não. Os sentimentos hoje em dia assumem um pouco da fugacidade do mundo, e acabam nos enganando. Mas, eu também acredito no amor fugaz. Aquele que dá e passa, sem deixar de ser amor. Acredito no amor sem convivência. No amor gratuito, sem nenhuma gratidão envolvida, nem mesmo conhecimento. Acredito no amor entre pessoas praticamente estranhas. Ama-se e ponto. Seja lá o que for. Ninguém explica ao certo o que desperta o amor.
Amor pra sempre é o mais bonito, mas só aquele que mesmo pra sempre, ainda permanece amor, sem se tornar uma prisão ou algo parecido. Esse é o mais difícil, porque tem que ser cultivado eternamente enquanto dure. E não é fácil. Porque tudo que é novo nos chama mais atenção, nos aquece mais a alma, nos faz suspirar mais de graça. Amor "velho" traz consigo a dificuldade da rotina, do conhecer muito o outro, da não novidade, ou melhor, traz consigo o desafio - que eu comparo muito ao ofício do ator - de trazer a novidade sempre, para o que já é conhecido e aparentemente o mesmo.
A gente sempre se emociona com o primeiro "eu te amo" de alguém. Porque é muito bonito mesmo - nunca se sabe o quanto esse alguém ensaiou na frente do espelho, o quanto sua mão tremeu e o quanto foi difícil dizer. Pra uns é fácil, pra outros nem tanto, e tudo tem seu teor de verdade. Mas o mais maravilhoso de tudo, é quando as lágrimas não ficam dentro dos olhos por um "eu te amo" já dito mais de um milhão de vezes por um mesmo rosto, tão conhecido já. É tão bom quando se vê que podem passar anos e mesmo assim, certas pessoas nos emocionarão pra sempre.
As relações novas são muito importantes, nos refrescam a alma, nos ensinam novas formas de nós memsos, nos revelam, e sempre nos recolocam na ação de aprender a olhar a alma humana - e como é importante. As velhas, essas nos ensinam a improvisar, a buscar o novo dentro do velho, a conhecer mais a fundo - nós e os outros. Muitas nos obrigam a conviver com espelhos de nós mesmos andando por aí. Outras nos fazem ter que encontrar motivos para continuar amando, mas no fim fazem com que descubramos que não é preciso, a própria procura do motivo para amar, já é amor. É difícil, porque com o aprofundamento da intimidade, os limites se alargam, a sinceridade se estreita e às vezes o dia a dia faz ficar comum. Esquecemos de como é bom agir como se estivéssemos tentando conquistar, de como ainda é bom ligar só pra dizer oi e dar um abraço do nada. Mas isso é mais um desafio.
Acho que da vida, dessa que a gente vive, o que se leva mesmo é isso, o amor. E não devemos menosprezar sua variadas formas, tão pouco fechar os olhos pra perceber quem nos ama, e a quem amamos. Amar, isso vale à pena. Ter um sentimento bom por alguém. Querer cuidar e desejar a felicidade. Desejar a companhia e sentir saudade na ausência - e quanto mais se ama e quantos mais se ama, maior a saudade nas/das ausências.
Meio piegas, meio sentimentalóide, eu sei, mas confesso, eu sou assim. Sou "super" assim. Acho que porque a vida tem sido de fato, muito boa comigo. Tenho tanta gente me volta que eu amo. Os que me amam eu até tenho noção, mas mais importante pra mim é o amor que eu levo no peito. E eu amo tanto, mas tanto. Tem amores que estão longe. Tem os que são de anos. Tem os que são de alma, e por si sós dispensam explicação. Tem os que surgiram do nada, e nem pudram ser vividos no dia a dia, mas moram dentro da minha alam e me fazem um bem danado. Tem aqueles que dão as caras vez em quando. E tem aqueles pros quais eu dou as caras de vez em quando.Tem os que são de todos os dias. Tem os que são de todos os jeitos. Tem os da pista de danças, do cachorro quente, da lágrima, do riso, do msn, do telefone, da mensagem e da bronca. Tem os que estão nos livros. Nas músicas. Nas fotos. Tem acima de tudo os que hoje me são insdipensáveis, e se serão pra sempre não sei, mas só por serem hoje, já me bastam.
Um texto meio clichê, para todos os meus amores que andam por aí, carregando um pouco de mim no peito, no jeito, na gíria, na memória, na foto, no sorriso, nas palavras...
Desejo o melhor e mais bonito, e que sejam infinitos enquanto durem, plagiando um pouco do Vinícios...

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