Thursday, October 05, 2006

estado de graça


ai que a vida tem coisas interessantes - e delicadamente estranhas. estava eu hoje a noite andando pela beira mar, sozinha, em direção ao meu carro. com minha blusa de manga curta, sem bater os dentes de frio, cabelos ao vento e cabeça longe e perto ao mesmo tempo. naquele momento eu fui dona do mundo (plagiando a clarice). eu sabia, na firmeza de cada passo, que o caminho era o mais certo, eu sentia prazer com o vento no rosto e as pessoas em volta, passando apenas. eu sentia prazer naquele estar sozinha tão bem acompanhada de mim mesma. eu caminhava como que com passos de dança. embalo firme e tonto. meio torta - claro porque se trata de mim ainda - mas com um sorriso tão leve e tão merecido. nada especificamente é o causador desse efeito todo. acho que pode ser aquele raro momento da vida, de extrema beleza, em que a gente dá de cara com a felicidade em estado bruto - e puro!!! Isso não aocntece sempre, e nem mesmo dura muito. a clarice fala, que se acontecesse sempre, viraria rotina e não seria tão bonito e se ficasse por muito tempo, a gente daria um jeito de aprender o caminho e não sair nunca mais - teria deixado de ser então. (mas eu não consigo lembrar o nome exato que ela dá a isso, depois recorro ao livro e escrevo ao fim do texto).
e eu sei que nessa valsa simples eu fui, com a cabeça vazia de pensamentos e focada na felicidade momentânea. como é bom sentir-se vivo. e é nesses momentos mais rápidos e simples que mais percebemos a vida - sim estamos vivos, somos vivos!!! meninas talvez o lance da afetividade passe por aí. tem que sentir-se vivo, para então ser afetivo. uffa!!!
em momentos como esse nada mais tem sentido, a não ser o que se vive de verdade.
o filme era bobinho, mas dava pra tirar uma lição. às vezes nos perdemos em imagens mal construídas de nós mesmos, idealizamos o que não queremos ser - e é isso que somos!!! mais vale fazer o que se tem por amor e ideal, o resto - dinheiro - vem (acho eu).
gostei de ler o e-mail do meko. simples como ele sempre foi, e ao mesmo tempo repleto de uma poesia e de um amor que me fizeram, como há muito não acontecia, sentir perto dele outra vez. reunião caótica, algumas divergências, e visões opostas. nem todo mundo ao redor tá no mesmo barco, daí fica difícil. desculpem-me, mas eu preciso ir em busca, já que vocês não se mostram muito na mesma estrada.
a minha internet também sentiu saudade boi (inho). a minha alma já sempre sente saudade. o meu fígado também (eu não podia perder essa). saudade de rir da clarice e achá-la histérica. falta de ser meio tosca de tão desengonçada - de tão a gente. e vai saber, a vida tem dessas, as pessoas se tornam indispensáveis, mesmo que virtualmente.
tenho sono. preciso procurar o termo no livro - ô perfeccionismo barato!!!


"...o estado de graça de que falo não é usado para nada. é como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existe. nesse estado, além da tranquila felicidade que se irradia de pessoas e coisas, há uma lucidez que só chamo de leve porque na graça tudo é tão, tão leve. é um alucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. apenas isto: sabe. não perguntem o quê, porque só posso responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.
e há uma bem-aventurança física que a nada se compara. o corpo se transforma num dom. e se sente que é um dom porque se está experimentando, numa fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente..."

um dia escrevo o texo inteiro.

lista de necessidades:
1. cenas bizarras em bequinhos escuros.
2. caipirinhas em praias nativas.
3. e um estado - que não é o de graça - mas que faz a gente ficar uma graça: o estado alcóolico.

:P

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