Tuesday, October 03, 2006

converse, sorria, divirta-se e seja feliz, mesmo que a vida esteja uma bagunça.


Hoje eu tenho plena certeza que se eu tiver uma filha (o que particularmente pretendo) eu vou criá-la com quase todos os elementos que a minha mãe utilizou na minha criação. A marioria dos filhos diz que nunca vai repetir os erros dos pais, mas como diria aquela música da Elis, "...ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...". Comigo é diferente (agora!!!). Olho pra minha mãe, pra mim, e pra estrada que juntas percorremos, e a única coisa que eu consigo ver são os acertos que ela cometeu. A vida me parece muito curta e passageira pra eu tentar (como uma arrogante e imatura menina crítica) apontar os erros da minha mãe. Pra quê? A vida vem pedindo que eu me resolva entre a mulher e a menina que vive dentro de mim. Tenho que optar? Prefiro ser o revesamento das duas.
E quando penso com esse ponto de vista em relação a minha mãe, eu creio estar sendo a menina que ama (e opnto) ao invés da mulher que olha para o passado e se percebe cheia de traumas pelos erros dos pais ( e há bem pouco, eu digo bem pouco, tempo atrás eu acreditava nisso). Colocar a culpa de seus fracassos nos deslizes da eduação dos pais, é fracassar duplamente. Assuma seus erros, antes de julgar aqueles que tentaram de tudo pra lhe fazer feliz (pelo menos comigo é assim). Trauma nenhum é grande o suficiente que não possa ser superado, desde que exista amor e vontade (de viver bem).
Se eu conseguir ser metade do que minha mãe foi pra mim, para minha filha, já sou uma mãe bastante realizada.
E porque que eu tenho que pensar que minha mãe nunca me deixou parar numa única escola e com isso me impediu de ter laços afetivos mais duradouros, como uma coisa ruim? Tudo bem, fiquei um tempo da minha adolecente vida penando por não conseguir ser sociável, tendo preguiça de conhecer as pessoas e logo me separar delas (pura defesa), mas isso eu superei e em compensação ganhei de brinde uma autonomia e independência (que minha mãe odeia hehehe) que é o que me sustenta.
E porque eu vou ficar pensando que minha mãe me tirou da casa, da avó/mãe e da cidade que eu amava e me levou pra morar com ela numa ilha esquisita, com um padrasto estranho e numa escola pior ainda? Não!!! O que eu tenho que ver é que minha mãe solteira, assumiu a minha vida e me fez ser a mulher/menina que sou, mesmo ouvindo do cara que era pra ser o meu pai que ela deveria me "tirar". Porque a gente tem que ver tudo do jeito mais difícil?
Eu poderia reclamar do fato da minha mãe não ter morado comigo até os nove anos, tendo me visto só aos finais de semana. Mas eu gosto é de lembrar dos finais de semana no parque com pipoca (embora ela sempre torcesse para que eu comprasse algodão doce). Gosto de lembrar dos teatros ao fim da tarde (minha cultura se inicia aí). Jamais vou me esquecer dos finais de semana na feira do livro de Porto Alegre, em meio a todas aquelas histórias (e ela nunca me negava um livro).
Eu lembro é que a minha mãe me ensinou a ser quem eu sou ( e eu não sou ruim). Os princípios básicos dela passavam pelo respeito ao outro, pelo amor, pela confiança/lealdade, pela sinceridade, pela boa educação (prinipios básicos hoje tão esquecidos) e pelo culto as coisas boas e bonitas da vida (incluindo meu lado fútil e intelectual).
As minhas inseguranças são misturas de erros dela, com meus próprios defeitos construídos por mim mesma (DNA?), e são elas que me salvam de ser uma mulher/menina chata que se acha melhor que os outros. Até nisso minha mãe foi impecável.
Mas claro, eu brigo com minha mãe, eu discuto e eu critico, mas a gente sempre foi assim. Ela quem me ensinou a não aceitar as coisas de graça (nem as dela), e hoje ela padece no monstro que criou (eu!!!). Na verdade acho que ela até gosta quando eu digo que não concordo com ela, sinto bem no fundo do suspiro de raiva que ela solta (isso quando não são gritos) que ela se satisfaz por ter feito um trabalho melhor do que esperava.
E se a minha mãe tem um lema (que eu preciso absorver melhor) é divirta-se, sorria, converse e seja feliz, mesmo que a vida esteja uma bagunça.

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