Wednesday, September 27, 2006

quase sempre.


nunca sei se eu sou mais atriz ou escritora. ainda me divido entre a minha paixão pela fotografia, meu isntinto pelo estilismo e minha atração pelo cinema (digo por trás das câmeras, porque na frente delas eu já fiz, faço e farei). vontade de criar e criar cada vez mais. às vezes me pergunto se não seria melhor ter uma só vontade, uma só habilidade, um só jeito. talvez a vida ficasse chata, mas talvez também eu me livrasse enfim desta ânsia enlouquecida de fazer tudo. acabo não fazendo muita coisa. talvez se eu pudesse ter umas mil vidas, ou uns mil anos desta mesma. mas não dá. o que tento fazer com tudo isso é viver um pouquinho de cada coisa e me aventurar. a máquina bacana pra bater fotos legais eu já comprei. escrever eu escrevo, aqui, ali e assim vai. estilista eu vou sendo, criando e recosntruindo minhas roupas e tendo lá o meu estilo. o cinema, bom eu tenho uma câmera, e posso pegá-la na mão e sair filmando algo por aí - só pra testar.
hoje no carro, num momento de ataque de tendinite aguda eu liguei o rádio, e veja que alegria: tocava a música bacana que eu gosto. adoro quando uma música vem pra sublinhar o momento ou então colorir a ação. essa veio trazendo alegria e menos tensão. levou o tédio, mesmo que por uns segundos. me fez ter simples motivo, para sorrir. e eu sorrí. depois voltei a sentir dor no ombro direito - maldita aula de bonecos que me fez ter essa naba no braço. mas segui em direção à rua, e dirigindo o meu carro cantarolei a música, feliz então.
comi e vim escrever de novo. isso me salva um pouco do mundo e de mim mesma. assim eu sinto um sopro leve de respiração de novo, e quase posso ver o céu. escrevo enfim. mas nem sempre as palavras me explicam, e acho mesmo que não servem pra isso. quase sempre elas me aliviam a alma e o corpo, por sua vez.
sacolas de supermercados pra carregar palavras bem ditas. e assim, de alguma forma, conseguir guardar o que se ouve também. faço um certo esforço, mas o som me foge ou se distorce um pouco, nunca sei se o que eu lembro ter ouvido, é o que eu ouvi ou o que eu queria ter ouvido. me pergunto mesmo se o que me lembro não é a sensação em estado bruto, do que eu ouvi, ao invéz das palavras. mas nunca chego a uma conclusão. e isso quase sempre nem me preocupa.
quase sempre.

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