Thursday, November 26, 2009

pausa

quando a gente não pode dizer também. quando a gente termina antes do dia. quando a gente não sente nada. quando a mesmice ataca. quando a vontade de mudar de lugar invade a sala. quando o amor estranha. quando o coração quer respirar. quando o cérebro funde. quando o calor pesa. quando a ideia não flui. quando alguma coisa fica faltando. quando a gente perde a certeza. quando a gente não quer. quando a gente magoa. quando a gente não sorri de volta. quando a gente bebe muita água. quando a agente sente que não dá mais. quando a gente perde alguma coisa pelo caminho. quando a gente não sabe em qual parte do caminho a gente deixou a coisa toda cair.

ps:. talvez seja assim: quando a gente precisa de um tempo pra gente. só a gente e a gente mesmo. nesse gente, inclui-se o eu, o eu profundo e os outros eus. mas só eu.

paixões e perdas

Paixão passa. É passageira mesmo. Repassa. Retorna. Depois passa outra vez. Não dura uma eternidade, mas pode voltar sempre, em relação à mesma pessoa, coisa, lugar...espelho!!!!
Tudo na vida depende da forma como a gente lida com o tempo, e com as perdas. O resto, é só firula, pra ficar mais colorido!
Pensando nisso, eu penso que não dá pra ter medo de uma paixão chegar ao fim. Seja lá por um amigo novo, por um grupo de amigos, por um trabalho, por um amor, por si mesmo. Tem dias que a gente está apaixonado e dias que não. E isso é isso e deu!
Se sobra amor depois da paixão, ou melhor se o amor se construiu enquanto havia paixão, a gente só mede quando a paixão acaba. E lidar com a possibilidade negativa, é uma perda, mas não arranca pedaços. E na maioria das vezes, o amor perdura, nem que seja em forma de lembrança, memória acalentada pelo coração. Suspiro e soluço de vida passada. De tempo remoto. De coisa que foi e foi boa. Então, assim sendo, a paixão acabar, não é de todo ruim, e a gente deveria ter menos medo disso!

Saturday, November 21, 2009

no instante em que se perde tudo

Estranho né?! To pensando um pouco sobre a estranheza da vida. To pensando, especificamente, sobre os instantes da vida, esses instantes em que perdemos e ganhamos coisas, em que tudo muda, vira, em que o livro acaba ou começa. É impressionante como a gente pode ir domir com vontade de abraçar e acordar com vontade de não saber de mais nada. É estranho como um instante da vida muda a forma como você vê um amigo ou um estranho. A confiança é uma obra de muitos instantes ou de um único. Ela se faz ou por muitos instantes somados, ou por uns poucos instantes intensos, mas certamente ela se desfaz por um único instante, e jamais se refaz, jamais. E eu fico triste com isso, em pensar que um único segundo desfaz toda uma história. Mas é o tempo fazendo refém, os sentimentos das mancadas bobas que nos deixamos levar - nesse caso se deixaram levar.
To pensando muito sobre as minhas relações com as pessoas. Pensando muito a respeito da sensação de que eu sou melhor amiga que namorada, parceira, amante, enfim....sei lá a nomenclatura. Eu penso no porquê?! E é difícil achar uma resposta. Talvez porque eu seja fugaz, de tão intensa. Talvez eu gaste o sentimento mais rápido que todo mundo, de tanto que mergulho nele. Talvez porque eu seja estranha, de lua, de dia, sei lá. Talvez porque eu provoque expectativas além do que eu possa oferecer, ou porque eu seja sincera demais e aja da forma que tenho vontade, sem fingir. Talvez porque eu seja egoísta, ou porque eu tenha nascido pra seguir uma trilha minha comigo mesma. Talvez porque eu seja das pessoas que nascem pra ter uma carreira e objetivos mais mundiais. Sinceramente não sei, só sei que, talvez pela amizade não ter a expectativa da perda tão eminente em sí, ela seja mais eterna, mais pra sempre, e mais tolerante, por consequência, com os defeitos, com os momentos e sobretudo com as estranhezas.
Cada vez mais eu me vejo do mundo e em contrapartida da bolha, da concha, da família e de poucos amigos. Eu to cada vez mais pro mundo na minha profissão e no meu desejo de conhecer lugares novos, e cada vez mais recolhida no que diz respeito aos meus sentimentos e aos meus amores. Inversões do tempo, talvez. Ando mostrando mais a cara naquilo que devo mostrar, e mostrando menos naquilo que não devo.
Não sou mais tão romântica - no sentido mais genérico do romantismo - nem me iludo mais com as pessoas. Sigo sempre sendo otimista e humanista, mas sabendo que algumas coisas acontecem mesmo, e outras não mudam. E sigo no meu caminho, sempre com a leveza por perto, buscando ser feliz a cada dia, e alcançar meus objetivos, sem passar por cima de ninguém, sem mesquinharia, sem precisar prostituir meus valores e ideais. Mas hoje, com um pouco de trsiteza, por esses instantes em que perdemos uma amizade, uma confiança, um possível amor, uma relação, uma ilusão. Algumas coisas são irreversíveis, e os instantes podem ser fatais!!!!!

Um texto baseado em sentimentos confusos, na minha imagem ontem no carro voltando pra casa, pensando pela estrada. Pensando na vida, nas amizades, na confiança que não faz o caminho de volta, nas relações que se perdem.
Um texto tomado pelo sentimento de agora. Um misto de frustração com a repetição dos meus próprios sentimentos, e de frustração pela ilusão de que, finalmente, algo em mim fosse por um caminho diferente. Um misto de desilusão pelos planinhos que eu fazia para o fim do sábado e que perderam o brilho dentro de mim. Um misto de coisas e sentimentos, que batendo no liquidificador, talvez não faça suco de nada, nem vire coisa nenhuma.
Mas ainda assim, segue sendo uma pausa para a felicidade, porque toda reflexão, deve servir para que a gente tente ser mais feliz no segundo que se aproxima!!!!

Friday, November 20, 2009

voltei

Várias coisas pra falar. Mas várias coisas pra aprofundar, então não vale seguir a linha dos tópicos. A primeira coisa é que eu estou absolutamente cansada. Uma semana intensa de apresentações, oficinas e idas e vindas, eu ainda não cheguei em casa. Amanhã ainda enfrentarei aeorporto e avião, até chegar mais perto da minha cama, e de tudo que eu ainda tenho que fazer antes que o ano acabe. Pousar no Santos Dumount é tudo o que eu mais desejarei amanhã!
Essa turnê me fez pensar em várias coisas. Na arte, nos valores artísticos, no porquê me tornei artista, no quanto é bom trabalhar pra crianças, e lidar com arte e educação. Pensei também na importância de levar o teatro pra quem nunca entrou em contato com ele, como é bom ver nos olhos das crianças uma satisfação e um prazer absolutamente novos!!! É ótimo fazer parte disso. Também pensei em ética, e conceito de grupo, em parceria, em amizade versus trabalho, em dinheiro, em futuro, em projetos novos...
Mas isso rende tantos posts. Rende mais post também a saudade que eu sentí, de certas pessoinhas, e do Rio. Rende post a pousada maluca, com o "Milk", e o o boi nas nossas maluquices, e por aí vai...
Volto a escrever quando eu voltar a mim, e quando eu conseguir organizar a vida que nessa ida e vinda toda, acaba ficando bemmm bagunçada!

Beijos.

Monday, November 16, 2009

entre aspas

Antes de me ausentar por uma semana, resolvi deixar estas citações de um blog bem legal, até porque elas me fizeram lembrar... bom, o que não importa, mas me fizeram lembrar...


"E o que é feito da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira solidão. Principalmente de manhã, ao acordar, quando não tem ninguém ao lado para dar bom dia ou perguntar se está sol, exceto o criado. Que é mudo. Não vai responder.

E o que é feito da solidão da tristeza da dúvida do amor da carta que não chega ao seu destino? Vira vazio. Aquele, que se instala no sofá nas noites de sábado e fica cantando músicas grudentas só para chatear. Mas repare bem no cantinho do olhar dele: aquilo ali é esperança. E das boas.".


fonte: http://fiodameada.wordpress.com/


Em homenagem à saudade, aos meus últimos sábados, às minhas últimas manhãs, e a todo mundo que me lê. Uma excelente semana!

Beijos

Sunday, November 15, 2009

só pra constar

To puta, o Firefox me fez perder meu post. Que por sinal, já não era nenhuma maravilha! Mas agora deu aquele branco na cabeça sabe? E eu fiquei me perguntando, pra que eu tenho que escrever um post? Sei lá, porque ficarei uma semana longe do blog, e ele parecerá meio abandonado. Mas aí pensei que ando escrevendo tão compulsivamente, que se duvidar, as pessoas nem lêem mais o que eu escrevo, de tanto que ando entulhando isso aqui de palavras. Será que alguém ainda me lê? Será que alguém encontra sentido no que eu escrevo? E eu? Continuo escrevendo para mim mesma, como sempre foi a minha meta, ou agora preciso de leitores que me dêem retorno? Está vendo, eu sabia que essa coisa de tornar a escrita um pouco o ganha pão ia melar alguma coisa.
Enfim, to aqui digitando de uma maneira agressiva, e tudo está saindo com e no fim da palavra, ou u, e parece mais francês que português. Ai que idiotice está ficando esse bando de letra reunida, pensando, na sua vã ignorância, que é um texto, e que é interessante. Quanta palhaçada!!!

Brain storm -

casa nova. fim de ano com gosto bom. eu preciso de férias. minha coluna dói. o texto novo finalmente está ganhando forma. o projeto pessoal sai ano que vem. a tranquilidade impera. vontade de ir prum sítio e ficar por ali. pé na terra molhada. saudades. preguiça. descanso. cerveja gelada. quero viajar. preciso ler os livros novos que adquiri. saudades de dar aulas de teatro. em breve uma nova empreitada. vontade de filmar um longa. tenho três argumentos para cinema. ansiosa por meu livro. quero sair por aí fotografando o mundo. meu irmão perde celular como quem tem queda de cabelo. saudade de um mar mais vazio. Floripa tem seu encanto no fim do ano. vontade de ter um filho. meu mapa astral é mara. eu quero sentar no boteco e conversar sobre nada. Clarice. Fernandona. Mariana Lima. Teatro. cansei!!!!!

Saturday, November 14, 2009

vamos à feira

Vamos à feira? Ando obcecada por laranjas. E se eu fosse uma laranja? Talvez fosse ácida - acho que doce não!!! Vamos calçar nossos chinelos novos e ir à feira, nem que seja pra rodar a barra da saia, num giro trôpego. Nos fingimos de bêbados. Eu e você. Você que não existe ainda na minha vida, mas volta e meia surge como uma imagem profética, ou premunitória. Você que me parece tão íntimo e tão meu. Surge até nos momentos em que eu estou bem, tranquila, acompanhada, sorrindo. Por essa eu não esperava. Você aqui? Agora? Nesse meu eu que anda tão confortável com o que vem encontrando? O que você quer me dizer? Que ainda falta encontrar você? Que não é esse o caminho de agora, aquele que devo fincar meus pés? O que você quer, vindo me visitar assim? Sem nome, sem endereço, lenço, documento, qualquer pegada que me ajude a encontrar teu caminho...? Tenho a impressão que você surgirá no melhor estilo: bagunçando a sua vida! Você vai enrolar minhas pernas e me ver tropeçar em mim mesma. Eu sou muito atrapalhada! Muito mesmo! Você vai bagunçar as minhas gavetas e fazer aquela cara de : eu avisei que chegaria! Você acha que eu realmente espero? Não faz meu tipo. A inquietação me toma cinco segundos durante a sensação de ter você por perto, e depois some, e vou viver minha vida, que eu sempre sou a favor do agora, sempreeee! Então a hora que você der as caras, meu cosmos amado, eu não sei o que será de mim! Talvez eu nem te perceba de imediato, até porque já vislumbrei tantas caras pra você, que a sua verdadeira face talvez me confunda. Não me leve a mal, mas eu sou assim mesmo. Mas quando você chega? E se já tiver chegado? E se for você? Como eu vou saber? Eu sei, com a mesma sensação com que te sinto e te pinto caras. Mas mesmo assim, no plano material, tudo parece tão mais confuso, e existem as interferências, as energias alheias se interpondo no nosso sinal!!! Você deveria me dizer seu perfume, então eu saberia, se é você, ou se será você. Será que eu quero que seja você? Não sei. Sabe aqueles momentos da vida em que a gente não sabe e não se preocupa em saber? Ando assim ultimamente. Eu não quero saber de nada. Deixo tudo pra mais tarde, só pra ficar ali, vivendo o que talvez não se repita. E nada se repete. As coisas, as situações, as pessoas, variam entre melhores e piores, boas e ruins, mornas, interessantes, brilhando ou tomadas pelo opaco, mas nada é igual. Então um mesmo dia pode ser muito ruim amanhã!!! Será que você já faz parte dos meus dias bons e ruins e eu ainda não me dei conta? Será que já povoa minha vida, e eu não vi? Bem capaz mesmo, eu sou meio cega às vezes!!!! Eu só preciso dizer uma coisa: venha, ou se já tiver vindo, seja leve, dócil, mas não perca também a fúria, e me segure as mãos de um jeito que eu não tenha escapatória, porque acredite em mim, eu sempre dou um jeito de escapar! Então a gente deve se ver em breve! Fique com meu afeto, e minha inquietação fugaz, daqui a pouco eu me distraio ou me atrapalho com qualquer outra coisa, e quando você for ver, já escapei, por entre meus próprios dedos!

Friday, November 13, 2009

não estorva nem sobra pra fora do lugar

É grande!!! Mas não é pesado, nem estorva, nem sobra pra fora do lugar. É imenso, e voa! Não é sério!!! Mas é importante, é frequente, é único!Não tem futuro!!! Mas é presente, é agora, é sempre. Não é nada do que eu costumo encontrar por aí, nas minhas andanças. Ri da minha cara, me esculacha, me encanta. Canta que só. Aliás, é muita risada compartilhada. E eu tenho espaço para ser muito ruim de mentirinha, e posso ser adocicada, e derramar todo meu clichê, toda minha breguice, sabendo que serei querida, ainda assim. É diferente, mais do que pelo diferentismo óbvio que traça. É diferente de um diferente desses que são naturais. Rompe a distância sem agonia, pelo contrário, com calma e sorriso no rosto, com balanço bom de tarde de verão fresquinha, com uma água bem gelada depois da areia quente. Rompe a distância, porque talvez a mesma nem exista. Sobrepõem um pouco minhas idéias, e me deixa numa confusão boa. E eu fico entre a ridícula necessidade imposta de verter tudo em nome e sobrenome, e a natural vontade de apenas viver. E vivemos. Cada vez mais sem necessidade do alheio. Só do vento pra quebrar o calor e de uma trilha sonora. Feita a mão!!! É gostoso de brincar. E sossegado de dormir, embora às vezes role umas sabotagens. Faz tempo que sinto vontade de escrever sobre, mas acho que não se encaixa nada forçado por aí. Então tinham que ser palavras brotadas num ímpeto estranho, numa necessidade, quase violenta, de dizer, de um jeito bem discreto e descontraído, tudo o que eu sinto passar pelo meu pescoço. O pescoço e a curva dele. É bem ali que se esconde o meu recanto. Não sei se é pacífico, mas é qualquer coisa que não se tolera, e ao mesmo tempo se acata. Não é uma ordem. Não chega a ser um caos. Às vezes eu penso que pode ser um costume. Se bem que não, viu, porque não é hábito, é querer bem. É uma situação. É quase um retrato tremido. Desses que a maioria das pessoas jogaria fora, e eu guardo, porque ví algo que vai além da nitidez, e certamente, vale mais que ela. Nem tudo que é nítido é aprazível aos olhos. Eu prefiro o borrão, desde que ele seja todo feito dessa loucura lúcida, e dessa comodidade desconfortável, que insiste em me distrair do trabalho!

o vendedor de laranjas

Tem dias que a mocinha adoraria ser burra! Não ter nenhuma idéia na cabeça, nenhuma inspiração, nenhum grande ideal! Queria acordar e ter a vida simples de um vendedor de laranjas na feira. Não, veja bem, não que o vendedor de laranjas não enfrente durezas da vida, enfrenta, claro que sim. Mas é dessas durezas de pele, de músculo, de estafa. Tirando raras excessões, na sua maioria, a classe dos vendedores de laranjas, não tem tempo para problemas existenciais profundos, não se preocupa com o fato de uma idéia estar nascendo, e muito menos sente as dores do parto. É muito duro o ato de criar. É muito duro ter algum ideal profundo, que motiva e leva adiante o bater de asas. Porque tem dias, que a mocinha simplesmente cansa, estoura, não tem espaço para si mesma. Tem dias que ela se torna pequena, de tão grande que ela se sente. Não cabe no corpinho, toda a "profundeza" que leva na alma, no espírito, seja lá onde é que ela leva!!!!
Quem sabe se ela fosse uma vendedora de laranjas, ainda assim, ela não pensaria na profundidade das laranjinhas. No fundo, ela sabe que deveria ter nascido vendedora de laranjas, porque tornar-se uma seria impossível. Ela, com certeza, se tornaria uma vendedora de laranjas dada às "profundezas", e acordaria com o mesmo peso, todas as manhãs. Teria a mesma sensação de que sobram idéias, sobram atos criativos, sobram pensamentos profundos, sobram sentimentos. E o fato, é que a vida, por mais longa que seja, será sempre curta, para quem como ela, veio com "profundeza" a sobrar...